Institucional

O Labjor é um centro de referência, no país e na América Latina, para a formação e para os estudos em divulgação científica e cultural. Trabalhando, em suas diversas atividades e programas acadêmicos, com os fenômenos contemporâneos ligados à cultura científica, o Labjor oferece, de forma multidisciplinar, a oportunidade de cursos de pós-graduação e de realização de pesquisas e produtos culturais, que contribuem para a compreensão e entendimento, para a análise e a explicação da dinâmica das relações entre ciência e sociedade que, por sua vez, integram, também dinamicamente, os fatos, eventos e acontecimentos próprios da cultura científica.

Arquivo de notícias




As inscrições para o curso de Especialização em Jornalismo Científico estão abertas de 03 de abril a 02 de junho de 2017. Confira o edital do processo seletivo 2017/2018.



Graziele de Souza

Germana Barata é pesquisadora do Labjor e, desde do início de 2017, está em Vancouver, no Canadá, como pesquisadora visitante da Universidade Simon Fraser, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Por meio dos textos publicados na coluna “Diário de Vancouver”, disponível na versão online do Jornal da Unicamp, ela procura compartilhar a experiência de viver no exterior, enfatizando o debate sobre o ensino superior.

Germana, em seu primeiro texto no Jornal da Unicamp, cita alguns assuntos que pretende abordar em sua coluna, como: o perfil institucional e suas estratégias de internacionalização, as questões de gênero na ciência, a progressão na carreira, o financiamento de pesquisa, as atividades de divulgação científica, o acesso aberto a revistas científicas, o uso de bibliotecas e a avaliação da produtividade.

Já foram publicados três textos, o primeiro foi “Pavimentando o caminho da internacionalização”, no qual ela aborda algumas dificuldades que precisou enfrentar desde o início do processo, quando tomou a decisão de ter experiência acadêmica no exterior até conseguir embarcar para o Canadá. Um dos desafios enfrentados foi em relação ao idioma: “Me considero fluente no inglês, mas a vida acadêmica nos desafia diariamente de modo a expor algumas fragilidades transponíveis da internacionalização. Defender as ideias científicas, sobretudo em outra área do conhecimento, com a agilidade e complexidade que às vezes nos é exigido é elevar a palavra ‘fluente’ para um próximo degrau”.

O segundo texto publicado foi o “Ciência como estratégia de desenvolvimento de nação”, que trata das medidas inclusivas do governo do Canadá e como isso auxiliou no desenvolvimento do país nos últimos anos, além de abordar sobre o ensino superior canadense.

A publicação mais recente é sobre o “Acesso aberto como política científica institucional”, no qual a pesquisadora relata sobre plataformas de acesso aberto existentes para possibilitar a leitura de artigos científicos de forma gratuita, apesar de que a grande maioria das pesquisas científicas tem o acesso restrito para assinantes.

Além de ler os textos já publicados pela pesquisadora, é possível acompanhar as próximas publicações, que podem ser encontradas nas categorias Artigos e Ideias no Jornal da Unicamp Online.



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Graziele Souza

O festival Pint of Science acontece entre hoje e quarta-feira (dia 15, 16 e 17) em diversos bares espalhados pelo mundo. No total, o evento acontecerá em 11 países, em mais de 100 cidades, durante 3 noites.

O Pint of Science é um festival internacional de divulgação científica realizado em bares, tendo sido criado em 2013 por Michael Motskin e Praveen Paul, na Inglaterra.

Para a coordenadora do festival em Campinas, Isabela Schirato, “a meta deste Festival de Divulgação Científica é atrair pessoas que normalmente não costumam frequentar o ambiente acadêmico, despertando seu interesse e aproximando-as das diversas áreas de pesquisa, para que percebam como a ciência está totalmente relacionada ao nosso dia a dia”, afirmou.

No Brasil o festival está em sua terceira edição, e ocorrerá em bares de 22 cidades brasileiras. Em Campinas o Pint of Science ocorre pela segunda vez, e este ano o evento irá acontecer nos bares: Lado B, Echos Studio Bar, Yoou Geek e Alzirão Empório Bar. No ano passado, o Labjor esteve bastante envolvido com as atividades, e este ano continua apoiando, mas com uma atuação menos intensa.

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Em 2016 Campinas sediou pela primeira vez o festival de divulgação cientifica e para a Isabela Schirato, a principal dificuldade encontrada foi que, pelo caráter inovador e por ter sido o primeiro ano, os organizadores tiveram mais dificuldades em conseguir patrocínio junto a empresas e institutos. “Ficamos preocupados se haveria um número representativo de pessoas, mas, no fim das contas, a participação do público superou nossas expectativas”, comentou.

Na edição de 2016 do evento, Campinas contou com um público de 2.200 pessoas, sendo que 1.500 participaram em uma única noite, no Observatório Municipal de Campinas além de outros dois bares.

Para 2017 a coordenadora de Campinas, Isabela Schirato, estima um público de 2.500 pessoas nas três noites, considerando que essa seja a lotação máxima dos quatro bares que participam do evento desta vez.

Os temas que serão abordados são bastante variados: Alimentos funcionais, obesidade, diabetes, astronomia, mudanças climáticas, biodiversidade, medicalização, evolucionismo, impressão 3D de órgãos, epidemias, computação quântica, transhumanismo, privacidade, e vários outros. A programação completa das atividades em Campinas pode ser conferida no site http://posbrazil.wixsite.com/posbrazil/campina17.

Isabela conta ainda que a experiência do ano passado foi positiva não apenas para o público, mas também para os palestrantes, que buscaram novas maneiras de apresentar os seus temas de pesquisa, com linguagem mais coloquial, diferente da que se usa em sala de aula ou nos congressos científicos.

Ela afirma que “o retorno tanto dos palestrantes quanto do público foi extremamente positivo, todos bastante empolgados pelo formato descontraído com que foram apresentados temas tão interessantes e relevantes. Tanto para acadêmicos quanto ao público em geral, foi um evento surpreendente”.

As sessões do Pint of Science terão início às 19h30 e terminam às 22h. E a programação do Pint of Science 2017, em todas as cidades onde estará ocorrendo, pode ser acessada no site oficial do evento. Também pode acessar o evento do Pint of Science 2017 no Facebook.



Com tristeza e pesar o Labjor se despede do artista João Baptista da Costa Aguiar, falecido no dia 16 de abril. Foi colaborador do laboratório desde 2000, quando criou o projeto gráfico da revista Ciência e Cultura, publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que passaria a ser produzida por uma equipe de jornalistas e pesquisadores do Labjor. Desde então, continuou produzindo as capas das revistas, em edições trimestrais, seguindo uma linha de criação na qual explorava o uso de cores vivas e o universo da tipologia para criar os títulos dos dossiês temáticos, que dão o tom principal da publicação.

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Anos depois foi convidado para criar também o projeto gráfico da revista Conhecimento & Inovação, que foi publicada pelo Labjor com diferentes parceiros – Instituto Uniemp, Agência de Inovação Inova Unicamp, Secretaria de Ensino Superior e Instituto Inovação – no período de 2005 a 2010. Mantendo um estilo mais leve, clean, que era uma de suas marcas, criou um projeto agradável, explorando o uso de fotos grandes, trazendo para a revista um equilíbrio importante entre arte e conhecimento.

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João Baptista fez, também, a capa do livro Prêmio Jovem Cientista, produzido pelo Labjor para a Fundação Roberto Marinho e a logomarca para a revista Patrimônio, uma publicação eletrônica do Labjor e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Programa “Artista Residente”

Mas, mesmo antes da criação do Labjor João Baptista já havia ajudado a criar o Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri), tendo respondido pela coordenação do núcleo no período de 30/06/1986 a 01/05/1989. Em 1985, dentro do programa “Artista Residente” do Nudecri, mobilizou estudantes, professores, funcionários e crianças com um histórico espetáculo chamado Vai rolar, quando uma bola vermelha gigante, de cinco metros de diâmetro, feita de lona de circo, ficou rolando, empurrada por pessoas, por quase duas horas no gramado do campus, fazendo uma alusão aos três pontos vermelhos da logomarca da Unicamp.

João Baptista teve uma carreira bastante significativa no campo da arte gráfica. Em 1970, começou na Editora Abril e, em 1973, já atuava em estúdio próprio. Foi diretor de arte da revista Vogue Brasil (1976-1978). A partir de 1982 passou a atuar na criação de cartazes e identidades corporativas para instituições e eventos, inclusive para a Unicamp, destacando-se o importante trabalho junto à prefeitura da cidade de São Paulo, onde criou a logomarca da cidade na gestão de Erundina e produziu outras imagens que se destacaram, como o cartaz de cem anos da avenida Paulista.

Foi o criador do logotipo e participou da implantação da identidade visual da editora Companhia das Letras, em 1986 – fez o projeto gráfico de capa para a série de livros policiais, diversas capas e iniciou o desenho de coleções de alguns autores consagrados. Produziu capas também para as editoras LP&M, Nova Fronteira, Agir entre outras.

Além de artista gráfico, João Baptista gostava muito de cozinhar e publicou, em 2011, o livro Senhor prendado – um homem que se diverte na cozinha, que é também uma obra de grande beleza gráfica.

Em 2006 teve sua obra consagrada no livro Desenho gráfico – 1980-2006, da editora Senac. No mesmo ano fez uma grande exposição no Instituto Tomie Ohtake, reunindo uma infinidade de capas de livros, revistas e cartazes produzidos ao longo de três décadas.

João Baptista deixa os filhos Rita e Zeca e dois netos.



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Temos o prazer de anunciar que o Seminário Conexões chega em 2017 a sua sétima edição com o tema “Deleuze e Cosmospolíticas e Ecologias Radicais e Nova Terra e…”. As inscrições de trabalhos estão abertas e os interessados devem enviar título, texto entre 1000 e 2000 palavras e três palavras-chave através de formulário disponível no site do evento: https://seminarioconexoes2017.hotglue.me/

Desde 2009 o evento propõe proliferações com o pensamento do filósofo Gilles Deleuze em interseções as mais inusitadas. Embora nosso dever seja o de ser intempestivos a nosso tempo, é ele na sua condição de contemporâneo que nos força a pensar.

O Antropoceno, como tempo marcado pelas catástrofes, pelas mudanças climáticas e nossa ação irreversível sobre as condições materiais de existência, sobre Gaia; parece que nos joga em direção ao fim do mundo. Um beco sem saída onde a comunicação e educação se tornam cúmplices de nossa miséria.

No entanto, não acreditamos no fim do mundo, como um Grand Finale, pois para quem acredita nas potências criativas da vida e do humano, o Novo, sempre advém do fim de um mundo que dá lugar a um outro. O mundo como uma cosmogênese constante. Uma comunicação entendida como multirelacionalidade que se diz potente ao afetar e ao se deixar afetar abrindo novas individuações e transformações na matéria; assim como uma educação como possibilidade de deslocar a aprendizagem para uma condição de ambiências imanentes que colocam o humano e não humano em processos de apreensão, de se apre(e)nderem mutuamente como encontro entre heterogêneos, podem ser os mais potentes aliados para um mundo que se resiste a acabar.

É por isso, que este ano o Conexões pretende se jogar em experimentações a partir do conceito de Deleuze e Guattari de Nova Terra. Acreditamos que a infindável procura por reinventar e refazer o mundo, por compor uma nova imagem do pensamento é sempre a procura por uma Nova Terra, por povoar uma e outra vez, por fazer diferir a mecanosfera que não para de afirmar seu des-fundamento como potência criadora e onde uma constelação de conceitos outros emerge e estes fazem contato dando consistência a possíveis e impensadas Cosmopolíticas e Ecologias Radicais.

O que pode o humano nos seus devires em tempos de catástrofe? É talvez a pergunta que tem nos des-orientado no pensamento com as mudanças climáticas na Revista ClimaCom produzida pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e no OLHO Laboratório de Estudos Audiovisuais da FE, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e que nos instiga a querer fazer deste VII Seminário um experimento em estar junto onde modos e lógicas de pensamento as mais díspares e aberrantes façam funcionar o pensamento de Deleuze e Guattari, na vontade de farejar faíscas dos modos como essa Nova Terra, suas Cosmopolíticas e Ecologias Radicais, podem aparecer e…

O evento de caráter interdisciplinar, está planejado para acontecer entre 27 e 29 de novembro de 2017, tendo já confirmada também as presenças de Brian Massumi e Erin Manning (Canadá), de Adrián Cangi (Argentina), Ailton Krenak, Almires Martins, Eustáquio Neves, Déborah Danowski, Luiz Orlandi e Marco Antonio Valentim (Brasil).

Em breve novas informações dos convidados e programação estarão disponíveis no site e em nossa página do facebook: https://www.facebook.com/conexoesdeleuze/?fref=ts

Comissão Organizadora – VII Seminário Conexões: Deleuze e Cosmopolíticas e Ecologias Radicais e Nova Terra e…

Instituições: Labjor e Faculdade de Educação da Unicamp

Grupos de pesquisa: multiTÃO, OLHO e DIS

Cursos de pós-graduação: Programa de Mestrado em Divulgação Científica e Cultural – Labjor/IEL/Unicamp; Programa de Pós-Graduação em Educação – FE/Unicamp

Redes e associações: Subrede Divulgação Científica da Rede Clima,
Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas – Rede Clima e
Associação de Leitura do Brasil – ALB



Em 25 e 26 de abril, evento oferecerá mesas-redondas, apresentações orais, oficinas e intervenções livres unidas pelo tema da resistência nos campos científico, cultural e tecnológico

 

Já estão abertas as inscrições para ouvintes do 4º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura (EDICC 4), organizado pelos alunos do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp. Os interessados podem se inscrever gratuitamente pelo site do EDICC 4 ou presencialmente, nos dias de evento. Neste ano, o encontro será realizado em 25 e 26 de abril, nos prédios do Labjor e do Instituto de Geociências (IG), na Unicamp (Campinas, SP).

O tema “Resistências: perspectivas na Cultura, Ciência e Tecnologia” foi escolhido para nortear as mesas redondas, oficinas, apresentações orais, intervenções livres e demais atividades do EDICC 4, que contará com palestrantes e facilitadores de diversas partes do Brasil. O intuito da programação é levantar questões sobre o atual cenário da produção cultural, científica e tecnológica no país e discutir os novos caminhos para a pesquisa acadêmica nessas áreas, além de destacar experiências com foco na integração e no compartilhamento de conhecimentos contra-hegemônicos.

Com a missão de tornar o evento cada vez mais acessível, o EDICC 4 proporcionará aos autores aprovados dois tipos de auxílio: uma ciranda infantil (de 3 a 10 anos) para que mães, pais e demais responsáveis tenham com quem deixar as crianças enquanto apresentam seus trabalhos; e um programa de hospedagem solidária, que ajudará os participantes vindos de outras cidades e estados a encontrarem um abrigo gratuito ou a baixo custo em local próximo ao evento. Os interessados em oferecer acomodação solidária devem encaminhar um e-mail para 4edicc@gmail.com

A programação completa do encontro será divulgada em breve no site e na página oficial do EDICC no Facebook. São apoiadores desta edição a Editora Unicamp, a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) do IG, da Unicamp.

 

Serviço

O que: 4º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura (EDICC 4)

Quando: 25 e 26 de abril de 2017

Onde: Labjor (Rua Seis de Agosto, 50, 3º piso) e IG (Rua João Pandiá Calógeras, 51), na Unicamp (Campinas, SP)

Mais informações: https://edicc2017.wixsite.com/edicc4, https://www.facebook.com/edicc.unicamp/ e https://www.facebook.com/events/402463873452847/

Contato: 4edicc@gmail.com



Informamos que o resultado final do Concurso Público – Pesquisador (Processo 01-P-29793/2015), e a classificação dos candidatos, serão apresentados hoje, dia 22/03/2017, ao final das avaliações, na sala de aula do Labjor, para o público que estiver presente. Em seguida, o resultado será afixado na porta do Labjor, para consulta.

Não é obrigatória a presença dos participantes do concurso, que também estão desobrigados de assinar outra lista ou documento, além da já assinada quando da apresentação do projeto.

Antes da publicação no Diário Oficial, após todos os trâmites da Unicamp, não haverá divulgação do resultado na página do Labjor, como anunciado anteriormente.

Comissão Julgadora

Resultado da prova escrita e eliminatória do Concurso Público – Pesquisador (Processo 01-P-29793/2015) e classificação dos aprovados.

Nº DA INSCRIÇÃO NOME NOTA DA PROVA* APROVADO
S/N
CLASSIFICAÇÃO
2 Daniela Tonelli Manica 8,3 S
4 Magda dos Santos Ribeiro 7 S
5 Gabriela da Rocha Barbosa 6,9 S
7 Ingrid Gomes 4,4 N
9 Márcia Maria Tait Lima 6,5 S
10 Renato Salgado de Melo Oliveira 7,5 S
11 Diego Jair Vicentin 8,1 S
13 Andréia Terzariol Couto 5 N
14 Mateus Yuri Ribeiro da Silva Passos 4,9 N
16 Rogério Garcia Fernandez 5,2 N
17 Rodrigo Travitzki Teixeira de Oliveira 4,6 N
20 Ofélia Elisa Torres Morales 3,3 N
21 Flávia Gouveia de Campos Gomes 7,1 S
22 Rafael Alves da Silva 8,1 S
23 Maria Thereza Bonilha Dubugras 4,8 N
24 Vivian Marina Redi Pontin 5,6 N
25 Paula Felício Drummond de Castro 5,6 N
26 Sabine Righetti 6,6 S

_________________________________________

*Nota mínima para aprovação da prova escrita: 6,0

Horário das apresentações, segundo a ordem de inscrição.

Nº DA INSCRIÇÃO NOME DATA/HORA APRESENTAÇÃO ORAL
2 Daniela Tonelli Manica 21/03/2017 – 14:00
4 Magda dos Santos Ribeiro 21/03/2017 – 15:00
5 Gabriela da Rocha Barbosa 21/03/2017 – 16:00
9 Márcia Maria Tait Lima 21/03/2017 – 17:00
10 Renato Salgado de Melo Oliveira 22/03/2017 – 08:30
11 Diego Jair Vicentin 22/03/2017 – 09:30
21 Flávia Gouveia de Campos Gomes 22/03/2017 – 10:30
22 Rafael Alves da Silva 22/03/2017 – 11:30
26 Sabine Righetti 22/03/2017 – 14:00

Não foram atribuídas notas aos candidatos listados abaixo por não terem comparecido no dia da prova escrita (20/03/2017)

Nº DE INSCRIÇÃO NOME DO CANDIDATO
01 Leonardo Ribeiro da Cruz
03 Guilherme da Silva Lima
06 Audre Cristina Alberguini
08 Isabel Silva Sampaio
12 Anne Danielle Soares Clinio dos Santos
15 Alcides Eduardo dos Reis Peron
18 Luiz Carlos do Carmo Fernandes
19 Ana Paula Camelo
27 Daniel Ferraz Chiozzini


Organizado por Jurandir Zullo Junior, Claudia Castellanos Pfeiffer e André Tosi Furtado, a obra Planejamento da produção de cana-de-açúcar no contexto das mudanças climáticas globais traz os desafios impostos pelas mudanças na temperatura da Terra.

O livro apresenta algumas das análises realizadas no âmbito do projeto interdisciplinar AlcScens, em que se colocaram em questão as possibilidades de expansão das áreas de plantio da cana-de-açúcar, elaborando cenários que incorporaram elementos advindos dos estudos ambientais, sobre dinâmica populacional, segurança alimentar e economia.

O AlcScens é constituído por pesquisadores que estudam a adaptação do sistema agrícola brasileiro, em especial a produção da cana-de-açúcar, às mudanças climáticas. O leitor terá acesso à parte do que foi produzido por este grupo, constituído de especialistas de várias áreas do conhecimento, tais como, climatologia, dinâmica demográfica, segurança alimentar e nutricional, divulgação científica, políticas públicas, geoprocessamento, meio-ambiente, saúde humana e desenvolvimento científico e tecnológico; e organizados em torno de cinco núcleos temáticos: modelagem agroclimática, segurança alimentar e demografia, política científica e tecnológica, divulgação científica e cenarização.

Sobre os autores:

Jurandir Zullo Junior é matemático e engenheiro agrícola, mestre em matemática aplicada e doutor em engenharia, pesquisador do Cepagri – Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Unicamp e professor nos programas de pós-graduação da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH).

Claudia Regina Castellanos Pfeiffer é linguista, pesquisadora do Laboratório de Estudos Urbanos da Unicamp e professora do programa de pós-graduação em Linguística no Instituto de Estudos da Linguagem.

Andre Tosi Furtado é doutor em Ciências Econômicas pela Université de Paris I (Pantheon-Sorbonne). É professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp.

O livro foi lançado pela editora Unicamp. Veja mais em http://www.editoraunicamp.com.br/lancamento_detalhe.asp?id=1114



A primeira edição de 2017 da ComCiência estreia o novo site da revista. Mais moderno e dinâmico, permite melhor leitura por meio de tablets e celulares. Além disso, tem acesso facilitado ao conteúdo, que agora oferece mais interatividade, aproveitando todos os recursos da plataforma WordPress.

A edição número 185 traz o tema Gênero, e está no mesmo endereço: www.comciencia.br. Todas as edições anteriores continuam sendo facilmente acessadas pelo site.

A ComCiência é uma publicação eletrônica mensal, que traz reportagens, artigos, resenhas e entrevistas sobre ciência e tecnologia, abordando, todo mês, um tema específico. Os artigos são escritos por especialistas convidados, e as reportagens são produzidas pela equipe da revista, que conta com colaboradores e alunos dos cursos de Especialização em Jornalismo Científico e Mestrado em Divulgação Científica e Cultural do Labjor.

A participação dos alunos faz com que a revista também funcione como um laboratório de experimentação – e, inclusive, foram dois alunos que propuseram e desenvolveram o novo site, como projeto de conclusão de curso.

Produzida desde agosto de 1999, pelo Labjor,  a revista é resultado de parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Tem além disso, convênio com a Fundação para a Divulgação da Ciência e a Tecnologia (DICYT) de Salamanca (Espanha) e o Instituto Universitário de Estudos da Ciência e Tecnologia da Universidade de Salamanca (ECYT).

Ao longo das 185 edições, com temas os mais variados, a ComCiência conquistou um público amplo e adquiriu o respeito por fazer a divulgação científica de forma exemplar, com relevância e qualidade.

Boa leitura!



Simone Pallone
Patricia Santos
Erik Nardini

Em 2016, o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, por intermédio da Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social (Secis), escolheu como tema para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia “A ciência alimentando o Brasil”. Certamente uma excelente escolha, diante de estatísticas, como as apresentadas no último relatório World Hunger and Poverty Facts and Statistics, de que no mundo, 790 milhões de pessoas sofrem com a fome. O Brasil faz parte dessa estatística e representa 7 milhões de pessoas que não têm o que comer, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Discutir a alimentação, portanto, nunca foi tão urgente. E como a ciência pode colaborar para mudar esse quadro, também.

Tragicamente as pessoas não passam fome por conta de uma suposta escassez de alimento, mas em razão do alto custo para se alimentar. O mesmo relatório estima que as mais de 790 milhões de pessoas vivam com o equivalente a U$ 1,90 por dia. Entendemos que não basta produzir alimentos suficientes para toda a população, mas é necessário também dar condições para que todos tenham acesso ao que é produzido.

E qual é o papel da ciência no cenário da alimentação?

Na tentativa de buscar respostas, ou pelo menos promover discussões a respeito do tema, a equipe do programa de webrádio e podcast Oxigênio, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), organizou para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) 2016 uma série de entrevistas com especialistas sobre alimentação, alimentos, produção e agroecologia. As entrevistas foram transmitidas ao vivo, diretamente do Museu Exploratório de Ciências da Unicamp, com comentários e trechos dessas conversas com especialistas sendo postados em tempo real na página do Facebook (https://www.facebook.com/oxigenionoticias/?fref=ts) e pelo Twitter (https://twitter.com/oxigenio_news/).

Juliecristie Machado de Oliveira professora da Unicamp defende a dieta vegana e dá dicas de como manter uma boa alimentação sem carne

Juliecristie Machado de Oliveira professora da Unicamp defende a dieta vegana e dá dicas de como manter uma boa alimentação sem carne

Ao todo foram realizadas 14 entrevistas, em dois horários de transmissão. Os convidados são professores e pesquisadores de dois campi da Unicamp, pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas, a coordenadora do Banco de Alimentos da Ceasa de Campinas e pesquisadores ligados a redes de produção agroecológica. Foram também entrevistadas uma professora da Universidade Federal de Sergipe, atualmente em estágio de pesquisa na Unicamp e uma pesquisadora da área de engenharia, participante de um projeto da Unesp de Guaratinguetá que relaciona energia, água e produção de alimentos e a divulgação do tema para crianças e adolescentes.

A nutricionista Bruna de Angelis fala sobre o combate ao desperdício de alimentos e sobre o Banco de Alimentos de Campinas

A nutricionista Bruna de Angelis fala sobre o combate ao desperdício de alimentos e sobre o Banco de Alimentos de Campinas

Ouça um trecho da entrevista feita com a professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Glaucia Pastore, no dia 18 de outubro: clique aqui para ouvir. Ao fundo se ouve as crianças que circulavam no Museu Exploratório de Ciências, no mesmo horário das entrevistas.

O projeto 1,2, feijão com arroz, 3, 4, ciência no rádio tinha como foco não apenas a realização das entrevistas, mas, a equipe do Oxigênio preparou também 10 spots de rádio sobre esses temas. O intuito foi chamar a atenção sobre essas questões, atingindo um público mais amplo, em um trabalho que teve início antes da Semana Nacional, ainda em setembro.

Os temas dos spots repetiram os assuntos das entrevistas: agroecologia, alimentação saudável, industrialização de alimentos, entre outros. A escolha dos temas e a consultoria do conteúdo ficou a cargo de pesquisadores do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (Nepa), um núcleo interdisciplinar de pesquisa, lotado na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp e que foi parceiro do projeto desde a sua concepção. Além da consultoria, da sugestão de temas e entrevistados e revisão do material dos spots, a pesquisadora Alline Tribst foi uma das entrevistadas na Semana Nacional, trazendo informações importantes sobre a indústria de alimentos.

Outro parceiro fundamental para a ação foi a Web Rádio Unicamp (http://www.rtv.unicamp.br/?page_id=78), que já atua em conjunto com o Labjor na produção do Programa Oxigênio desde a sua criação em 2015.

A ideia de transmitir ao vivo as entrevistas e ainda ter a possibilidade de difundir os spots e as entrevistas livremente pela internet, permitiu que o objetivo do projeto fosse cumprido, atingindo um público amplo, sem limitar a uma faixa etária específica, ou grupo social. Mas também foi intenção da equipe que esse material fosse transmitido por rádios comunitárias do Brasil. Para alcançar esse objetivo foram contatadas várias rádios brasileiras. Foram elas a Rádio Noroeste FM, de Campinas, a rádio Valinhas FM, Rádio UOC, ligada ao Instituto Comradio, de Piauí, da Web Rádio Da Hora, da Universidade Federal de Santa Maria, campus de Frederico Westphalen, a rádio da Universidade Federal de Sergipe, em Aracaju, e ainda: Bicuda FM (Rio de Janeiro-RJ), Favela FM (Belo Horizonte-MG), Rádio Heliópolis (São Paulo-SP), Rádio Comunitária (Frederico Westphalen-RS) e Rádio Absoluta (Realeza-PR).

Vale frisar que o material continua disponível podendo ser usado por rádios comunitárias, escolas, comunidades religiosas e quem mais se interessar em difundir o conhecimento produzido especialmente para a Semana. Os spots podem ser acessados aqui (http://oxigenio.comciencia.br/semana-nacional-de-ct-campanha-alimentacao/).

Os spots têm no máximo dois minutos, trazem uma vinheta criada pela equipe com músicos que usam o corpo para produzir sons de percussão. O spot sobre desperdício de alimentos, por exemplo, narrado por Carolina Maués, tem pouco mais de 1 minuto. É tempo suficiente para passar informações importantes para a população cuidar de sua alimentação. Ouça. (http://oxigenio.comciencia.br/wp-content/uploads/2016/10/SPOT-2-Desperdício.mp3)

Da proposta de produzir spots sobre temas de alimentação, surgiu também a ideia de criar uma parceria com um assentamento de produção de alimentos orgânicos – este na região de Americana, interior de São Paulo – que deve reverter em uma oficina de educomunicação para a comunidade aprender a utilizar as ferramentas da comunicação social, em especial o áudio, que pode gerar podcasts e material a ser divulgado em web rádios e redes sociais, de modo a ajudar a ampliar a discussão sobre alimentação saudável, produção agroecológica, lições sobre desperdício, distribuição de alimentos entre outros temas tão caros para a sociedade atual e tão conhecidos por essas comunidades.

Participaram desta ação na Semana Nacional, alunos e ex-alunos do curso de Especialização em Jornalismo Científico, uma parceria entre o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo e o Departamento de Política Científica e Tecnológica, do Instituto de Geociências,  e o Departamento de Multimeios, do Instituto de Artes, ambos da Unicamp, e do Programa de Mestrado em Divulgação Científica e Cultural, do Labjor e do Instituto de Estudos da Linguagem.

A seguir, um resumo sobre o tema da Semana, segundo os entrevistados pela equipe do Oxigênio dentro do Projeto 1,2, feijão com arroz, 3, 4, ciência do rádio, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2016.

Desafios na produção de alimentos envolvem fatores técnicos e sociais

Erik Nardini Medina
Patrícia Santos

Segundo uma corrente de especialistas, a agroecologia se constitui de “reflexões teóricas e avanços científicos, oriundos de distintas disciplinas”. É um campo do conhecimento que analisa os sistemas convencionais de produção e que busca estabelecer princípios e conceitos que podem fundamentar um processo de transição do modelo convencional para os de base ecológica.

E ao contrário do que se pensa, a discussão agroecológica não se restringe à produção de grãos e hortaliças, mas aparece também em outros setores da cadeia alimentar, como a aquicultura, atividade relacionada ao cultivo e produção de pescados. “A aquicultura inclui peixes, algas, camarão, uma grande variedade de organismos”, explica a pesquisadora Juliana Schober, professora da Universidade Federal de Sergipe (UFS). “A aquicultura que hoje se expande encaixa-se mais nos moldes do agronegócio. O grande desafio agora é estruturarmos em modelos agroecológicos, que confere um uso muito mais sustentável dos territórios”, defende.

Alternativas são bandeiras de movimentos sociais

Para além do modo de produção, o pesquisador Wilon Mazalla Neto, que integra a Rede de Agroecologia da Unicamp, destaca que a agroecologia também é um movimento social “que traz a contradição e a oposição do avanço do capitalismo no campo”. Para ele, as preocupações que emanam do discurso de uma vida mais saudável e da preservação ambiental têm na agroecologia uma resposta às consequências negativas dos modos de produção convencionais.

“Precisamos de uma alternativa que mantenha a produção agrícola mas de maneira mais sustentável, com inclusão social, com mais pessoas vivendo e trabalhando no campo, preservando recursos naturais porque esses recursos têm limites”. Mazalla defende o que chama de soberania alimentar, questão que considera a autonomia de um país em produzir alimentos. Segundo ele, essa  reflexão interessa a toda a sociedade, não apenas aos setores vinculados à reforma agrária.

“Qual alimento estamos consumindo? Onde este alimento está sendo produzido? Os agricultores familiares têm acesso à terra, aos recursos naturais para produzir alimentos sem depender de circuitos internacionais de circulação de mercadorias? Cada vez mais a sociedade civil tem refletido sobre isso. Para termos soberania alimentar nós precisamos ter controle sobre isso, precisamos de reforma agrária, de uma agroecologia estabelecida, pois só assim poderemos enfrentar os problemas vistos no campo hoje como a exploração do trabalho, a degradação ambiental e o alto uso de agrotóxicos”, afirma.

Ainda no campo dos movimentos sociais, a jornalista e pesquisadora Marcia Tait, que também integra a Rede de Agroecologia da Unicamp e é autora do livro Elas dizem não: mulheres camponesas e a resistência aos cultivos transgênicos, reflete sobre aspectos que versam sobre o ecofeminismo e empoderamento feminino.

Sobre a participação e a força da mulher no cenário nacional de produção de alimentos, Tait explora questões intrínsecas à condição feminina que devem ser consideradas ao abordarmos produtos geneticamente modificados. “Quando eu articulo essas duas coisas – gênero e meio ambiente – tenho duas características diferentes de movimentos sociais essencialmente ecológicos”, explica.

“Com o caráter feminino nós temos outras questões que envolvem os conceitos de fertilidade, de manipulação das formas de vida que não poderiam ser manipuladas de qualquer forma, em alusão à engenharia genética que faz a manipulação das sementes com inserção de genes de outras espécies. Então essa relação envolve aspectos simbólicos e culturais que têm a ver com a proteção da integridade da vida, a integridade das sementes e a fertilidade do próprio solo”, analisa a pesquisadora.

Industrialização de alimentos tem prós e contras

A garantia do espaço para que pequenas produções familiares possam sobreviver livres de insumos sintéticos também faz parte da pauta do movimento de mulheres camponesas. Há uma mudança no âmbito das relações de consumo e produção que prejudica os pequenos produtores, explica Marcia Tait. “Nós estamos falando de famílias que têm uma condição precária, de renda baixa. Então quando essas famílias perdem seu espaço de produção para a subsistência e têm que comprar tudo fora, além de comprometer-se do ponto de vista financeiro, de piorar a condição de vida, também tem o aspecto que é o da própria qualidade desse alimento”, avalia.

Na esteira de críticas à industrialização e aos produtos geneticamente modificados, Tait lembra que num período não muito distante do que vemos hoje, grande parte do que consumíamos era livre de defensivos ou de transformações. “Você tinha os ovos de galinha orgânicos porque a galinha era orgânica, alface era orgânico, tudo era orgânico”, constata acrescentando que “de de repente você passa a ter que adquirir produtos industrializados que não têm nada de bom e ainda tem que ter dinheiro e pagar por isso”.

A reclamação quanto ao consumo de alimentos industrializados recai sobre a qualidade do que é produzido pelas companhias. As indústrias, em uma busca constante para manter ou simular as características de alimentos naturais, se valem de aditivos diversos. Os corantes, estabilizantes, acidulantes, antioxidantes e umectantes são exemplos de compostos adicionados aos produtos para aumentar o seu tempo de vida (a data de validade) e preservar os atributos associados àqueles itens.

Esses artifícios, alguns de origem vegetal mas em sua maioria compostos sintéticos, são frequentes alvos de críticas entre os que defendem uma alimentação mais natural e com qualidade de vida. “Só podem ser colocadas nos alimentos industrializados substâncias que passaram por longos estudos toxicológicos e que são consideradas seguras. No Brasil a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é o órgão responsável por regular os aditivos e a concentração permitida desses elementos”, pondera Alline Tribst, associada ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (NEPA) e pesquisadora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA/Unicamp).

E se de um lado a industrialização é criticada, de outro ela cumpre um papel crítico ao permitir que os alimentos suportem as variações climáticas e de manejo, o que não seria possível na forma in natura, segundo Tribst.

“A indústria de alimentos existe para fazer com que um alimento produzido em uma região chegue ao consumidor de qualquer lugar do mundo estável e boa para o consumo. Para isso, garante que esse produto chegue ao consumidor, a partir da industrialização para conservação. Por exemplo, ao se transportar laranja para o Japão, há todo um processo industrial para que chegue ao destino sem sofrer muitas alterações na sua qualidade”, pontua.

Do ponto de vista econômico também seria anticompetitivo transportar a laranja in natura. O processamento da fruta elimina a água e gera um produto concentrado que depois pode novamente ser diluído no país de destino. Isso reduz o volume transportado e, consequentemente, o forte impacto do valor do frete.

Desta forma a industrialização consegue competir com larga vantagem em um aspecto decisivo – o preço. Essa questão é ampliada no excelente Food, Inc., documentário que aborda diversas razões pelas quais os alimentos industrializados são mais baratos, refletindo sobre as consequências do consumo desses produtos e sobre os métodos adotados pela cadeia produtiva.

Mas será a indústria assim tão nociva, a ponto de buscar apenas uma produção em larga escala sem se preocupar com a qualidade do que é produzido? Na opinião da pesquisadora Alline Tribst a indústria produz aquilo que o consumidor tem interesse em consumir, o que inclui alimentos menos processados e mais naturais. Os produtos orgânicos são bons exemplos: nos últimos anos houve uma explosão na procura por esses itens e a indústria se ocupou de incluí-los em seus portfólios.

No entanto, produtos orgânicos representam um custo maior e, portanto, são voltados a um nicho de mercado. “Ainda existe uma grande parcela da população que é orientada a preço. Se esse consumidor tiver que escolher entre um produto orgânico e um tradicional que custe 10 centavos a menos, ele irá optar pelo tradicional”, observa.

Tecnologias para a produção

Assim como na indústria a pesquisa e desenvolvimento vem mudando a qualidade dos produtos entregues ao consumidor, no campo os produtores também estão cada vez mais inovando nos sistemas de produção. Uma das tendências é a agricultura de precisão em que se utiliza tecnologias e análises de dados para conhecer a características do solo, a necessidade de nutrientes, de drenagem, até a presença de doenças, excesso de insetos que possam trazer danos à produção.

Nessa abordagem, amostras de solo são coletadas em áreas menores do que na forma convencional (a cada hectare, por exemplo). Depois de análises em laboratório, ferramentas de geoestatística são usadas para criar mapas de variabilidade do solo a partir dos dados coletados. Assim, é possível gerenciar em cada área a fertilização, a quantidade de sementes, entre outras ações. O resultado da produção também gera dados e mapas de produtividade para então subsidiar decisões na próxima safra.

De acordo com Paulo Graziano, professor e pesquisador da Faculdade de Engenharia Agrícola (FEAGRI) da Unicamp, não há um número preciso sobre quantas produções adotam esse sistema, mas estima que cerca de 40% tenha algum componente de agricultura de precisão. Segundo Graziano, a tendência é de crescimento sendo aplicada principalmente nas grandes culturas como soja, milho e trigo.

Patricia Santos entrevista Prof. Paulo Sérgio Graziano da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp

Patricia Santos entrevista Prof. Paulo Sérgio Graziano da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp

As produções menores também se beneficiam dessas técnicas. Por exemplo, no cultivo da uva é possível obter ganhos significativos na qualidade da fruta, impactando diretamente no valor do vinho como produto final, segundo explica o professor. Como são necessários investimentos altos nos recursos de precisão, uma saída para o trabalho em menor escala é a aquisição através de cooperativas.

Outra vantagem do uso das tecnologias e do monitoramento dos dados é o impacto positivo para o meio-ambiente, uma vez que é possível evitar a aplicação de fertilizantes ou agrotóxicos onde não é necessário. “Um equipamento pulverizador pode ser programado para utilizar fertilizantes ou agrotóxicos apenas nas áreas necessárias, o que gera uma economia também para o produtor”, afirma Graziano.

De acordo com o professor, a agricultura de precisão vem sendo desenvolvida desde 1999 e a academia teve um papel fundamental gerando pesquisa, testando técnicas e também formando recursos humanos com esse conhecimento para o mercado. Na Unicamp, além de disciplinas na graduação e pós-graduação, em 2017 estará disponível um curso de extensão para os interessados no tema.

Outra forma de se beneficiar das tecnologias e das pesquisas, é no uso de pesticidas. Aliado a técnicas e métodos de forma adequada é fundamental para evitar danos ambientais e também à saúde do trabalhador. Existe uma corrente de pesquisadores que visa às melhores práticas no uso de defensivos agrícolas, trabalhando ativamente com os produtores para que, cada vez mais, os agrotóxicos sejam aplicados de maneira eficiente e controlada, minimizando possíveis impactos.

O tema vem a calhar se considerarmos que o Brasil é um dos maiores consumidores de defensivos no mundo, ocupando o topo da pirâmide há cerca de dez anos: são mais de 850 milhões de litros de agrotóxicos pulverizados anualmente no País.

A agricultura de precisão defendida por Paulo Graziano dialoga com os estudos de Hamilton Ramos, pesquisador científico do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e um dos principais nomes da pesquisa em aplicação de defensivos. Ramos defende que qualquer aplicação desenfreada, além de contaminar o solo e ser prejudicial à saúde do trabalhador, também gera impactos sentidos diretamente no bolso.

Segundo o especialista, o objetivo das pesquisas em tecnologia de aplicação de defensivos está em compreender como direcionar o defensivo em uma determinada cultura de forma cada vez mais segura, econômica e com o mínimo de contaminação. “Todo produto que é aplicado precisa atingir um alvo na plantação. Tudo o que é aplicado e não chega no cerne do problema, onde está a doença, representa contaminação e perda para o produtor”, constata.

Falar sobre defensivos agrícolas em um momento em que a sociedade vive uma espécie de boom dos orgânicos, com especialistas de todas as frentes defendendo seu consumo e condenando os agrotóxicos é bastante delicado. Ramos, porém, prefere tratar o assunto com racionalidade. O pesquisador não acredita que o futuro seja essencialmente convencional, tampouco que seja totalmente orgânico. Para Ramos, produtos cultivados à base de herbicidas não são a antítese dos orgânicos – “os dois convivem, têm seu espaço e seus métodos de serem bem feitos”.

Mudanças do âmbito social ao individual são necessárias

A educação e a comunicação provam que são os melhores caminhos para as boas práticas no campo, seja do ponto de vista convencional ou orgânico. No âmbito da produção convencional o programa “Aplique Bem”, uma parceria entre o IAC e uma empresa de tecnologia agrícola, completou uma década em 2016 com mais de 50 mil profissionais treinados em todo o País. “O Aplique Bem pode ser definido como um programa de transferência de tecnologia. Desenvolvemos tecnologias no IAC e levamos aos aplicadores no campo em uma linguagem clara”, explica. “Os profissionais do campo também nos oferecem problemas para os quais nós ainda não temos solução”, acrescenta Ramos reforçando que esses casos viram objeto de estudo no Instituto Agronômico.

Para Filipe Salvetti, mestrando na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), a educação ambiental pode contribuir, mas precisa ser reanalisada. Essa modalidade costuma ter preocupação, por exemplo, com a reciclagem, mas não leva em conta o questionamento sobre os hábitos consumo, os sistemas de produção e seus impactos.

Salvetti acredita na importância da educação ambiental crítica, que é a proposta do programa Ponte, desenvolvido na universidade. “Nossa sociedade está em crise econômica, social, ambiental e política. A educação ambiental assume seu papel no enfrentamento dessa crise ao formar cidadãos críticos capazes de interferir na nossa sociedade a partir de suas atitudes e reflexões”, explica Salvetti, que é coordenador técnico do programa.

Filipe Salvetti Nunes da Esalq apresentou o Projeto Ponte que trata de consumo de alimentos e educação ambiental

Filipe Salvetti Nunes da Esalq apresentou o Projeto Ponte que trata de consumo de alimentos e educação ambiental

O Ponte leva estudantes de escolas públicas de Piracicaba (SP) à universidade, onde têm atividades teóricas e práticas, incluindo o contato com os diferentes sistemas – como monocultivos em grandes extensões, a áreas de preservação permanente, sistemas agroflorestais e plantio consorciado (espécies diferentes cultivadas em conjunto). A partir de suas experiências, o programa também proporciona a reflexão sobre alimentação e saúde, além de permitir o primeiro contato dos jovens participantes com a carreira na área agrícola, segundo Salvetti.

Além da educação, os meios de comunicação têm um papel importante provendo informação para melhorarmos a relação com a alimentação. São constantes as demandas por regulação da publicidade, assim como a crítica aos meios jornalísticos quando divulgam informações imprecisas ou de forma sensacionalista. Na análise da pesquisadora Cinthia Betim,  da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp muita coisa já foi feita para conter abusos nas mídias tradicionais, mas ela alerta que hoje o problema maior está nos blogs e outras mídias sociais e sua grande capacidade de difundir, por exemplo, dietas milagrosas e até perigosas para a saúde.

A pesquisadora ressalta a importância do núcleo familiar para promover mudanças quanto aos hábitos de consumo e de alimentação. “Se perdeu um pouco da educação dentro de casa, isso tem sido terceirizado. A criança arma um berreiro, o pai abre a todos os desejos do filho que foi influenciado pela mídia num ciclo muito perigoso. Não é só marketing, mas a relação familiar está muito abalada hoje em dia na sociedade”, afirma.

Jorge Behrens, também pesquisador da FEA na Unicamp, argumenta que é necessário mudar os hábitos a começar pelo contexto familiar. Um exemplo é a troca da refeição individual na frente da televisão pelo momento na mesa, em família. Behrens ressalta que esse tipo de hábito é capaz de contribuir para reduzir a obesidade de crianças e adultos conforme pesquisas na área verificaram.  “O movimento deveria ser o resgate do hábito alimentar tradicional. [A refeição em família] é um fator de coesão social, vamos resgatar esse conceito”, incita.

Além da família, a escola também tem um papel importante por ser o ambiente em que, em muitos casos, crianças e jovens fazem suas refeições principais. Na análise de Behrens, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) obteve avanços importantes nos últimos anos e é uma referência internacional. O programa está inserido na cadeia produtiva envolvendo pequenos produtores no fornecimento dos alimentos para as merendas nas escolas.

No entanto, sua execução ainda tem problemas. “A merenda é uma representação social da alimentação escolar fortemente enraizada em nossa cultura”, diz Behrens. “Só que ela remete a um passado assistencialista, quando a ideia era fornecer alimentação a uma criança sem recursos como uma espécie de caridade prestada pelo estado”.

Essa visão traz prejuízos amplos, da gestão à formação dos alunos. Para Behrens é preciso ver a alimentação escolar como direito do estudante em que a qualidade das refeições e também a educação alimentar devem ser enfatizadas.

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