Disciplinas oferecidas conjuntamente:
JC005/A
JC007/A
JC016/A
JC018/A

Jornalismo Cultural


JC018/A | Jornalismo Cultural
Docente: Prof. Dr. Celso Luiz Figueiredo Bodstein
Horário: Quinta-feira - 14:00-18:00 - Inicia em 28/02/2019
Local: sala 212 - 2º andar - IG (Instituto de Geociências) Endereço: Rua Carlos Gomes, 250, - Cidade Universitária


Semestres em que a disciplina foi oferecida: 2019 - 1º Semestre,

Compreendendo o Jornalismo Cultural como prática de absorção e mediação de significados complexos e subliminares da cultura, diferenciada do conceito de jornalismo factual, o curso evidencia como tal viés foi sendo conotado, até se fazer potente na definição de um universo transmidiático. Trata-se, aqui, de investigar convergências singulares entre a produção textual e a icônica. A imagem se faz contemporânea quando transposta de uma “cultura da imagem” – do espetacular integrado – para uma “cultura visual” cujas cognições a tornam complexa, passíveis de serem observadas em sua profundidade e interioridade. O conceito acolhe o tom ensaístico do fotojornalismo literário, do cinema documentário, do vídeo performático, reunidos em plataformas que também integram a reportagem literária, a crítica e a crônica, a história oral, a produção de perfis, jogos, infográficos, sons, sonoras e entrevistas.

Programa:

O curso propõe o reconhecimento de traços valorativos da difusão cultural levada a plataformas expansíveis, criadoras de narrativas transmídia. O que se pretende é conjecturar sobre tal condição de contemporaneidade. Aceitam-se aqui estatutos de transição de uma cultura da imagem – relacionado ao normativo marxista de análise icônica que dominou décadas – para uma cultura visual, de imagens conjugadas e abertas, acessíveis em sua interioridade e propícias para flexibilizar percepções da cultura. A parceria de tal imagética com outras semioses, como a literatura, o desenho, o registro sonoro qualificado, conduzem o curso para observações de experimentos expostos na midiosfera. Procura-se compreender uma ética e as muitas poéticas advindas dessa densa convergência de linguagens. As reflexões se estendem ao tema da curadoria, como conceito adequado a ações do pesquisador no contexto de um jornalismo cultural em contínua mutação.

A grande visibilidade que vem ganhando a temática da diversidade cultural na
contemporaneidade é comprovada pela própria UNESCO ao promover, em 2005, a Convenção sobre a Proteção da Diversidade das Expressões Culturais, cujo texto oficial foi
referendado pelo Brasil através do decreto legislativo 485 de 2006. O referido relatório aponta a necessidade de identificação de

[…] um fio condutor principal entre a multiplicidade de possíveis
interpretações; l mostrar a importância da diversidade cultural nos diferentes domínios de intervenção (línguas, educação, comunicação e criatividade) que, à margem das suas funções intrínsecas, se revelam essenciais para a salvaguarda e para a promoção da diversidade cultural; l convencer os decisores e as diferentes partes intervenientes sobre a importância em investir na diversidade cultural como dimensão essencial do diálogo intercultural, pois ela pode renovar a nossa percepção sobre o desenvolvimento sustentável, garantir o exercício eficaz das liberdades e dos direitos humanos e fortalecer a coesão social e a governança democrática (p. 9).

É de nossa compreensão a premissa de que a comunicação transmídia, quando acoplada a ideais contemporâneos do jornalismo cultural e celebrando suas características expansivistas da informação, torna-se instrumento oportuno na disseminação do multiculturalismo.

Avaliação:
A avaliação do curso incluirá três itens:
1) participação do aluno no decorrer do curso (25% da nota)
2) apresentação de um seminário (25% da nota)
3) entrega de um texto final (50% da nota)

Participação: as aulas preveem a discussão da bibliografia do curso.
Para isso, os alunos deverão trazer para a aula anotações sobre a leitura prévia dos textos sugeridos na bibliografia. O debate dos textos é fundamental para o bom andamento do curso.

Leitura: O debate nas aulas focalizará a bibliografia básica abaixo, de leitura obrigatória. A bibliografia complementar abaixo serve como guia de estudos para aqueles(as) que desejarem aprofundar as leituras.

Seminário: cada aluno apresentará um seminário a partir de um texto sugerido na bibliografia. Os textos apresentados no seminário podem servir para fundamentar a elaboração do texto final a ser entregue também para avaliação.

Texto final: cada aluno deverá entregar, um texto que trate dos temas abordados no curso e que pode ser relacionado a sua pesquisa de pós-graduação. O texto deverá ter entre 10 e 15 páginas, com espaço 1,5; fonte Arial; tamanho 11. A proposta de texto final deverá ser discutida previamente com os professores responsáveis pela disciplina. Os trabalhos devem ser impressos e não serão aceitos trabalhos fora da data.

Alterações: No decorrer do curso algumas leituras e vídeos podem ser alterados em função das dinâmicas em sala de aula e interesses dos alunos e do professor.

 

Bibliografia:

AGAMBEN, Giorgio. O contemporâneo e outros ensaios. Chapecó, Argos, 2009.

BARTHES, Roland. A Câmara Clara. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984

BAUMAN, Zygmunt. Ensaios sobre os conceitos de cultura. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editora, 2012

_________________ O mal- estar na pós-modernidade. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed/itora, 1998

CORREA ARAÚJO, Denize; CONTRERA, Malena Segura (orgs). Teorias da imagem e do imaginário. Compós, 2014

CASSIRER, Ernest. A filosofia das formas simbólicas A: Vol I. São Paulo, Martins Fontes, 2001

CATALÀ, Josep Maria. La imagen compleja: la fenomenologia de las imágenes en la era de la

cultura visual. Barcelona, Bellaterra, 2005

__________________ A forma do real. São Paulo, Summus Editorial, 2011

DEBORD, Guy. A Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro, Contraponto Editora, 1988

DELEUZE, Gilles; Guattari, Félix. Mil Platôs, capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro, Editora 34, 1980

DIDI-HUBERMAN. O que vemos, o que nos olha. Rio de Janeiro, Editora 34, 1998

________________. Quando as imagens tomam posição. O olho na história, vol 1. Coleção Humanitas. Belo Horizonte, UFMG, 2017.

DURAND, Gilbert; JANNINI, Karina. As estruturas antropológicas do imaginário. São Paulo, VMF Martins Fontes, 2002

FLUSSER, Vilem. Filosofia da caixa preta – ensaios para uma futura filosoia da fotografia. São Paulo, Hucitec, 1985

_______________ O universo das imagens técnicas. Elogio da superficialidade. Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press, 2012

HALL, Stuart. A identidade cultural da pós-modernidade. São Paulo, Lamparina, 2014

KELLNER, Douglas. A cultura da mídia. Bauru, Edusc, 2001.

KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. São Paulo, Ateliê Editorial, 2016

LÉVY-STRAUSS. O pensamento selvagem. Campinas, Papirus, 1989

MORIN, Edgar. O Método: as ideias – volume 4. Porto Alegre, Editora Sulina, 2011

NOVAES, Adalto (org). Mutações: ensaios sobre as novas configurações do mundo. Rio de Janeiro, Agir Editora Ltda, 2007.

__________________. O Olhar. São Paulo, Cia das Letras, 1988.

RANCIÈRE, Jacques. O Espectador emancipado. São Paulo, VMF Martins Fontes, 2012

ROBSBAWN, Eric. Tempos fraturados, cultura e sociedade no século XX. São Paulo, Companhia das Letras, 2013

SARTRE, Jean-Paul. A imaginação. Porto Alegre, L&PM, 2008

SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. São Paulo, Cia das Letras, 2005

LIPOVETSKY, Gilles. Os tempos hipermodernos. São Paulo, Editora Barcarolla, 2007

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