Mesas fazem parte da programação aberta do minicurso oferecido em parceria com a Escola de Governança da Internet no Brasil (EGI) nos dia 26 e 27 de novembro. O número de vagas é limitado e requer inscrição prévia
Nos dias 26, 27 e 28 de novembro, o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) recebe o minicurso “Internet e jornalismo científico: relações de poder e construção de narrativas na rede”. O curso oferece dois seminários abertos a não-participantes. A mesa “Governança Global da Internet e as transformações geopolíticas” acontece na quarta-feira (26) e a “Jornalismo científico e as novas mídias: plataformização e alternativas” na quinta (27).
Pessoas já inscritas no minicurso não precisam realizar nova inscrição, mas não-participantes interessados devem se inscrever através da página do curso no site do EGI. Ambos os seminários se iniciam às 19h30 e seguem até 21h, na Cervejaria Tábuas, em Barão Geraldo. As vagas são limitadas.
Governança Global da Internet e as transformações geopolíticas
26/11, quarta-feira, 19h30
Palestrantes: Alcides Peron (Unicamp); Jaqueline Pigatto (Data Privacy); Hemanuel Veras (UFRJ); com mediação da Profª. Drª. Janaina Oliveira Pamplona da Costa – Professora Livre Docente no Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) da UNICAMP.
Neste seminário, serão debatidas novas dinâmicas de poder que se estabelecem com o avanço do ambiente digital, e a relação com a Governança Global da Internet. A Web, antes creditada como um espaço de participação social, capaz até mesmo de promover a democratização da informação, tornou-se nas últimas décadas palco da polarização política e catalisador de conflitos, que são estimulados a partir de uma arquitetura tecnológica construída por conglomerados da tecnologia. São grandes empresas que detém poder algorítmico suficiente para ditar comportamentos com base nos seus interesses privados, e controlam a infraestrutura crítica da Internet alçando o ciberespaço a um campo de disputas geopolíticas. Dentro deste cenário, o debate deve abordar o papel preponderante de diferentes atores para se contrapor ao poder privado da Rede, e como estas transformações na geopolítica da tecnologia influenciam o equilíbrio da rede, bem como a capacidade da Governança Global da Internet para responder aos novos desafios, enquanto um sistema que se propõe a reunir múltiplas visões para discutir a construção de políticas e propostas para o desenvolvimento de uma Internet aberta e livre.
Uma das entidades mais relevantes na governança da Internet mundial, a ICANN, usa o seguinte mote em seus eventos: “um mundo, uma Internet”. Porém, pelo menos desde as revelações de Edward Snowden, em 2013, sobre o uso da rede como ferramenta de espionagem geopolítica internacional, a governança da rede vive atravessada por tensões geopolíticas, que marcam disputas em torno de seu caráter global versus interesses de Estados-nações versus demandas regionais. Será possível compatibilizar utopias universalistas com o direito dos Estados de estabelecerem suas políticas regulatórias e de desenvolvimento? Como garantir que instituições globais de governança e padronização não sejam capturadas por interesses privados? Podem as representações estatais darem conta adequadamente de demandas regionais de populações minorizadas?
Jornalismo científico e as novas mídias: plataformização e alternativas
27/11, quinta-feira, 19h30
Palestrantes: Rafael Evangelista (CGI.br); Damny Laya (Unicamp), Carolina Oms (Fundo de Apoio ao Jornalismo – FAJ), Ronaldo Matos (Desenrola e Não Me Enrola); com mediação da Ms. Mayra Deltreggia Trinca – Mestra em Divulgação Científica e Cultural e Especialista em Jornalismo Científico (Unicamp).
Neste seminário, serão debatidos as transformações no jornalismo desde a emergência das novas tecnologias digitais, buscando analisar os impactos do fenômeno da plataformização na deterioração do debate público ao submeter o ambiente informacional à lógica algorítmica de captura de atenção. Ao alterarem o processo de consumo de informação, essa nova infraestrutura digital afeta de forma irreversível a credibilidade pública do jornalismo a partir de novas dinâmicas de produção e distribuição da notícia que produzem efeitos econômicos, políticos e sociais. O debate pretende analisar, sobretudo, como a mídia tradicional e a indústria jornalística respondem aos desafios impostos por este novo cenário midiático, como o jornalismo científico pode contribuir para uma melhor compreensão destes fenômenos em prol a um desenvolvimento tecnológico mais sustentável e justo. Será especialmente importante refletir sobre alternativas que contribuam com as transformações estruturais do jornalismo, fomentando um ecossistema mais plural e autônomo, capaz de fortalecer a coesão do tecido social diante deste cenário.
Ao mesmo tempo que as plataformas de redes sociais digitais facilitaram o acesso a informações na Internet, seu modelo de negócio baseado na sugestão algoritmizada de conteúdos, inclusive jornalísticos, teve um efeito devastador sobre o consumo de informações. Quando se colocaram como intermediárias entre as audiências, os veículos e os anunciantes, as plataformas ganharam centralidade no consumo e no financiamento da informação jornalística. Para reequilibrar o poder nessa relação, veículos vem demandando, junto ao Estado, modelos de financiamento de suas atividades a partir dos recursos das grandes plataformas. Que modelos são esses e quais suas vantagens e desvantages? Podem haver outras alternativas complementares? As plataformas comerciais são apenas uma parte da web, são insuperáveis? O que falta para o jornalismo se apropriar das tecnologias e recuperar o contato direto com sua audiência?

