“Modos de fazer e contar no Labirinto” foi escrito por integrantes do Laboratório de Estudos Socioantropológicos sobre Tecnologias da Vida (Labirinto)
Num evento cheio de emoção, alunas e alunos do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) falaram sobre seus processos de criação de metodologias de pesquisa interdisciplinares, feministas e criativas que resultaram no livro “Modos de fazer e contar no Labirinto”. Na obra, lançada nesta quinta-feira (28) no Labjor, abordam as etapas e os questionamentos que fizeram parte do desenvolvimento e elaboração de pesquisas de mestrado e doutorado.
Durante a mesa de abertura, Daniela Manica, coordenadora do grupo de pesquisa e pesquisadora do Labjor, falou sobre as dificuldades enfrentadas para criação e manutenção de um laboratório. “É difícil fazer pesquisa interdisciplinar, tem pouco tempo, pouco dinheiro, sem um caminho metodológico claro. Mas tem muita disposição”, destacou a pesquisadora. Manica organizou o livro em colaboração com Clarissa Reche Nunes da Costa e Fernando Monteiro Camargo, também membros do grupo Labirinto. Para Camargo, a interdisciplinaridade e a pluralidade de temas de pesquisa são marcas do grupo e inspiraram a escrita de um livro sobre diferentes metodologias.
Em sua fala, Costa disse que o livro é fruto do cultivo da dignidade mental e intelectual proporcionado pela universidade e pelo grupo de pesquisa. Para ela, a possibilidade de experimentação só é possível num ambiente que valoriza as pessoas por quem são e pelo que pensam. Carolina Cantarino, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp e autora do prefácio, complementou dizendo que o livro valoriza os processos singulares e individuais de pesquisa. Com isso, afirmou Cantarino, a obra honra a capacidade criativa de quem faz pesquisa diante de processos avassaladores de homogeneização.
Produção coletiva
Estavam presentes também Camila Montagner Fama, Kris Herik de Oliveira, Irene do Planalto Chemin, Carolina Busolin Carettin, Adriana Silvestrini e Fernanda Mariarth, autoras de capítulos. Ao longo das falas, a perspectiva feminista foi o principal destaque. Para Oliveira, ela se mostra não só nos temas de pesquisa, mas nas práticas de cuidado – com o livro, com as pesquisa e com as outras pessoas – cultivadas pelas integrantes do grupo.

A cima: e Fernando Monteiro Camargo, Clarissa Reche e Daniela Manica na mesa de abertura. Em baixo: alunas do Ensino Médio que participaram do livro.
O destaque do lançamento foi a presença das autoras alunas do Ensino Médio: Geovana Luna dos Santos, Kauan Alves da Silveira Aristides, Raylane Souza de Moura, Samara Lopes de Oliveira e Veronica Martins da Silva. As adolescentes fazem parte do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (PIBIC-EM), que proporciona oportunidades a estudantes da educação básica. O programa é uma forma de incentivo à pesquisa e de facilitação do acesso dos jovens à universidade.
A pesquisa desenvolvida pelas adolescentes é um trabalho conjunto com a dissertação de mestrado de Chemin, intitulada “Acessos e usos da internet por adolescentes: produzindo um podcast sobre Educação Digital”. As falas foram carregadas de emoção sobre escrever um livro sendo tão jovens e sobre a possibilidade de acesso aos espaços de pesquisa. Aristides disse esperar que possam servir de inspiração para outros jovens que também queiram seguir esse caminho.
Órgãos e estruturas biológicas
Além de autora, Costa foi a responsável pela criação da capa da publicação, resultado de uma colagem manual a partir de recortes de livros e enciclopédias de ciências. A ilustração apresenta uma série de estruturas biológicas sobrepostas, como células, olho, ovário, ossos, cóclea e sangue menstrual. A ideia era remeter a questões importantes para a identidade do grupo de pesquisa, por isso a colagem de diferentes materiais e as partes do corpo representadas.
A produção do livro foi financiada pelo Programa de Pós-Graduação em Divulgação Científica e Cultural do Labjor, publicado pela editora Pontes.
Por Mayra Trinca