Livro apresenta diferentes debates em torno da ética para a IA

6 de maio de 2026

Publicação traz contribuições de vários pesquisadores do tema, entre eles, Rafael Evangelista, do Labjor

O livro “Perspectivas éticas para IA: dilemas e desafios”, lançado em versão on-line em março pela editora AIUB, propõe discussões sobre diferentes áreas da inteligência artificial, como o papel do designer na era da IA, decisões delegadas a sistemas de IA, desafios pedagógicos, igualdade de gênero, colonialismo digital e interações humanos-máquinas.

Na apresentação, Delmo Mattos da Silva e Fábio Luiz Tezini Crocco, dois dos organizadores, ressaltam o caráter interdisciplinar do campo. Eles argumentam que é necessário pensar em modelo de uso das inteligências artificiais que seja voltado ao bem-estar humano.

A obra propõe que a ética não seja vista apenas como um conjunto de regras externas, mas como um critério constitutivo do próprio design e da governança das IAs. Para os autores, uma das dificuldades atuais do campo é que os posicionamentos são sempre reativos e surgem apenas em resposta a problemas que já estão dados.

“A ética deve assumir um caráter proativo e estrutural”, escrevem Silva e Crocco. “O desafio central reside em reconfigurar as responsabilidades humanas ao longo de todo o ciclo de vida dos sistemas de IA: concepção, desenvolvimento, treinamento, implementação, uso e governança”.

Cassiano Terra Rodrigues e Brutus Abel Fratuce Pimentel também participaram da organização da obra, que é resultado do Grupo de Pesquisa IDEIA – Inovação e Desafios Éticos da IA, registrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os quatro organizadores são professores no Departamento de Humanidades (IEFH) do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Contribuições 

Cada capítulo apresenta uma abordagem diferente para o tema, sendo que os primeiros textos passam por questões mais técnicas, como a responsabilidade dos designers e a necessidade de transparência para minimizar vieses algorítmicos. Depois, há trabalhos voltados para a importância de recortes de gênero e geopolíticos, além das intersecções com a educação superior. O livro encerra com a tese de que a tecnologia deve ampliar o potencial humano, promovendo uma interação crítica e emancipatória com as máquinas.

Os autores do livro compõem um corpo docente e de pesquisadores multidisciplinar, vinculado a instituições brasileiras de excelência. Além do ITA, entre os demais autores, estão pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Federal de São Paulo (Univesp).

Rafael Evangelista, pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Unicamp, escreveu em parceria com Rodolfo Avelino, da Univesp, o capítulo “Do colonialismo à soberania digital: ética e justiça para o florescimento humano”. No texto, os autores, debatem a importância da soberania do Sul Global diante do monopólio tecnológico e propõem que não haverá desenvolvimento ético da IA enquanto persistirem as estruturas coloniais que organizam o trabalho e a extração de dados.