Professora do Labjor editou dois dossiês lançados na Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde. Temas focam na comunicação pós-pandemia e nas redes sociais
Os dois últimos dossiês publicados na Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde (Reciis) fizeram parte da edição especial “Comunicação nas instituições de saúde e saúde na comunicação”. Ao total, nove artigos sobre o tema foram reunidos na revista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que acaba de subir para Qualis A1 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
As publicações marcam a importância da comunicação diante do crescimento da hesitação vacinal, dos ataques ao Sistema Único de Saúde (SUS) – que completou 35 anos em 2025 –, do crescimento acelerado da circulação de desinformação nas redes sociais e dos aprendizados que a pandemia de covid-19 deixou em todas essas áreas.
“Sabíamos que a pandemia estaria presente, mas buscamos também tratar de outros temas. Selecionamos, por exemplo, trabalhos sobre abordagens de violência contra o idoso na mídia jornalística ou sobre campanhas públicas de prevenção ao HIV”, comenta Sabine Righetti, pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor). Ela foi uma das editoras dos dossiês, ao lado de e Mariella Silva de Oliveira-Costa, egressa da especialização do mesmo laboratório e hoje tecnologista da Fiocruz em Brasília
A primeira parte do dossiê focou em campanhas de comunicação institucionais. Na apresentação da coletânea, as editoras destacam que buscaram textos que trouxessem diversidade de metodologias, de objetos e de resultados aplicáveis a outras realidades, com resultados inéditos de excelência e de relevância social.
Temas
Ao todo, foram 75 manuscritos enviados na chamada para publicação. Righetti conta que a ideia inicial era de apenas um dossiê, mas com a grande procura, decidiram publicar em dois volumes.
“O número de submissões mostra a importância da comunicação da saúde como uma área de pesquisa. Recebemos trabalhos que olharam para estratégias institucionais de comunicação como a ação do MC Fioti no Butantan. Tivemos análises interessantíssimas de conteúdo sobre o tema da saúde na imprensa e nas redes sociais. Também recebemos trabalhos que focaram na comunicação social de saúde na perspectiva dos atores da área: um dos artigos, por exemplo, traz uma pesquisa multicêntrica com mais de 14 mil agentes comunitários de saúde durante a pandemia de covid-19”, complementa Righetti.
Os dossiês mostram casos de sucesso em que práticas sociais se aliaram a evidências científicas na promoção da saúde coletiva. Como no caso das campanhas contra o HIV e no papel dos agentes de saúde. Mas ressaltam a necessidade de adequar a comunicação ao contexto em que está inserida, levando em consideração fatores como idade, gênero, raça e classe. A circulação dessas pesquisas possibilita a replicação dessas experiências em cenários semelhantes.
Já o segundo volume, publicado em dezembro de 2025, enfatiza o desafio da comunicação nas redes sociais. Ao mesmo tempo que as ferramentas tecnológicas facilitam a circulação de informação, sobrecarregam os usuários com notícias falsas.
Na apresentação do dossiê, explicam que a experiência da pandemia mudou o que se sabia e se esperava da comunicação na área. O evento demonstrou o impacto que a desinformação e infodemia podem ter diante de uma crise de saúde pública. Daí a importância de criar e divulgar campanhas de comunicação com maior capacidade de engajamento e distribuição.
Por Mayra Trinca

