Labjor participa de eventos sobre governança da internet e redes sociais

15 de dezembro de 2025

Representantes do laboratório estiveram presentes no mini-curso “Internet e jornalismo científico” e no 1º WebSocial BR – Fórum do Fediverso Brasileiro

O Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recebeu na última semana de novembro (26, 27 e 28) o minicurso “Internet e jornalismo científico: relações de poder e construção de narrativas na rede”, numa parceria com a Escola de Governança da Internet no Brasil (EGI). Já no dia 3 de dezembro, Damny Laya, bolsista Mídia Ciência do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri), participou do 1º WebSocial BR – Fórum do Fediverso Brasileiro, organizado pela associação de fomento à cultura digital Alquimídia, em Brasília.

O minicurso oferecido pela EGI foi voltado especialmente a alunos e ex-alunos do Labjor. A programação contou com uma série de palestras e seminários sobre temas associados a governança da internet, como o funcionamento da web, algoritmos, colonialismo digital e plataformização. Rafael Evangelista, pesquisador do Labjor e conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), foi um dos organizadores do evento, participando com Laya do seminário “Jornalismo científico e as novas mídias: plataformização e alternativas”.

O evento discutiu a hegemonia das plataformas das big techs na circulação do conteúdo produzido por jornalistas. Segundo os palestrantes, o surgimento das redes descentralizadas representa uma contraposição aos algoritmos opacos das plataformas comerciais mais conhecidas, já que permitem um contato mais direto com o público, sem depender de anúncios, coleta de dados ou mediação de outras empresas.

Redes federadas

Um dos temas discutidos no seminário foram as redes federadas, redes sociais que compõem a Web Social Aberta, conhecida como Fediverso e tema de pesquisa de Laya. Essa rede é formada por “plataformas sociais descentralizadas que utilizam protocolos de comunicação abertos, uma tecnologia através da qual as redes sociais se tornam interoperáveis, conectadas a um único grafo social e a um sistema de compartilhamento de conteúdo”, explica ele. É o mesmo modelo de interoperabilidade que permite que usuários de diferentes serviços de e-mail (Gmail, Outlook, Yahoo etc.) consigam se comunicar entre si.

O 1º Fórum do Fediverso Brasileiro foi organizado pela Alquimídia, com apoio do CGI, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), da POP Solutions, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), SindSaúde/SC e do FediFórum. O objetivo do evento foi reunir administradores de comunidades, gestores, parlamentares, pesquisadores e comunicadores do tema para trocar experiências e fortalecer esse ecossistema no Brasil.

Laya participou do “Painel FediGov: Experiências de redes federadas no governo e universidades”, apresentando o trabalho realizado no Nudecri. O pesquisador faz parte do projeto “O Fediverso nas universidades públicas: iniciativas para a construção de uma soberania digital nas universidades paulistas”, em que é bolsista Mídia Ciência pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Laya e Evangelista, supervisor do projeto, implementaram instâncias no Mastodon e no Peertube – redes sociais descentralizadas – próprias do Núcleo. A ideia é mostrar alternativas de divulgação das pesquisas que não sejam ancoradas nas redes gerenciadas por big techs.

As instâncias já vem sendo usadas por alguns pesquisadores, pesquisadoras, alunos e veículos do laboratório, como O Plano B, um projeto do ICTS/Unicamp – Grupo de Estudo em Informação, Ciência, Tecnologia e Sociedade, com apoio da Rede Latino-Americana de Estudos em Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits), que faz um mapeamento da literatura sobre capitalismo de vigilância no Sul Global, a revista ComCiência e o podcast Oxigênio, canais de divulgação e comunicação tanto dos trabalhos de pesquisa e de formação acadêmica, quanto para a divulgação científica.

Relevância

Um dos participantes do Fórum, Frederico Guimarães, membro da Plataforma Vilarejo e Pontão Colaborativas, destacou a importância de usar códigos abertos nas instituições públicas. “Se o dinheiro é público, o código também deveria ser público”, disse, se referindo ao financiamento das instituições. “Quando se fala em soberania digital, é importante frisar que ninguém precisa reinventar a roda criando software, ele já existe e é de código aberto”, complementa.

Para Laya, a participação das universidades nas redes federadas é parte da “construção da soberania digital em instituições públicas, explorando as potencialidades do Fediverso como um espaço de comunicação e divulgação científica autônomo e democrático”. A presença dessas instituições de ensino superior também contribui, defende Laya, na discussão sobre a importância da soberania digital no contexto acadêmico, “incentivando a adoção de tecnologias livres e descentralizadas que respeitem os princípios de transparência, privacidade e democratização do acesso à informação e ao conhecimento”.