Dossiês Entrevistas Resenhas Notícias Memória Fototeca Agenda Quem somos Fale conosco
Frevo de hoje destaca-se pela improvisação
Museu preserva acervos de grandes nomes da literatura nacional
Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça? Mito do improviso é questionado
22 anos depois, Gilberto Velho reflete sobre tombamento de terreiro
Revista do Patrimônio sobre Museus é lançada no Rio de Janeiro
Frevo nasceu como fenômeno de resistência popular
Página inicial > Notícias
Sociedade de Arqueologia Brasileira premia educação patrimonial no Pará
Daniel Chiozzini
Canaã dos Carajás, situado no estado de Pará, é um dos municípios que sofrem diversos impactos devido às atividades econômicas da mineradora Vale do Rio Doce. Entre estes, estão aqueles relacionados ao patrimônio cultural brasileiro: diversos sítios arqueológicos já foram localizados nas regiões onde a empresa atua. Para impedir que o material seja destruído, a empresa deve cumprir as determinações previstas nas leis 3.924/61 e 9.605/98 que, entre outros aspectos, protegem os sítios arqueológicos . Entre as exigências legais, estão o desenvolvimento de projetos de pesquisa arqueológica e de educação patrimonial. Um destes projetos, desenvolvido em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e a Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia (FIDESA), recebeu o Prêmio Loureiro Fernandes, da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), durante o XIII congresso da entidade.

Segundo Janice Souza Lima, educadora do Museu Goeldi, a demanda pelo projeto começou em 2001 quando foi constatada a necessidade de realização de um “salvamento arqueológico”, que consiste na prospecção e documentação do material arqueológico encontrado, basicamente composto de cerâmicas indígenas. Em outubro do mesmo ano, foi emitida pelo Iphan a autorização da pesquisa arqueológica, quando iniciaram os trabalhos de prospecção e salvamento sob a coordenação da arqueóloga do Museu Goeldi, Edithe Pereira. Em 2002, foi iniciado o projeto de educação patrimonial, com o objetivo de divulgar e promover o conhecimento dos resultados obtidos junto a população local. Segundo Lima, esse foi um diferencial que garantiu a qualidade do projeto: “Geralmente os educadores são chamados quando um projeto museológico ou arqueológico já está concluído, o que acaba comprometendo seus objetivos”, afirma. Para ela, a atividade educacional junto a população deve perpassar todas as fases do trabalho da arqueologia, conforme prevê a Portaria 230 do Iphan, demandando um planejamento cuidadoso, o que foi possível realizar no caso de Canaã dos Carajás.

O trabalho de Lima começou com um levantamento do perfil da região impactada, marcada por um fluxo migratório intenso desde a instalação da unidade da Companhia Vale do Rio Doce. A população oficial em 2000, segundo o IBGE, era de 10.922 pessoas, mas a educadora estima que este número pode ter chegado a mais de 15.000 após 2002. A comunidade também enfrenta, até hoje, problemas crônicos como analfabetismo, prostituição e desemprego. Considerando tal situação, a equipe elaborou um projeto que visasse contribuir com o desenvolvimento local, atingindo a comunidade como um todo, e que reconstruísse a memória de cada um dos grupos de imigrantes da região, oriundos de diversas partes do país. Para isso, montaram-se diversas oficinas de percepção cultural, uma delas de produção de estandartes, onde os grupos eram divididos por estados de origem e produziam um material representativo da cultura do seu estado natal, relacionando-a em seguida com a dos demais. Também aconteceram oficinas de artesanato em cerâmica, que visavam a compreensão e a recriação de novas peças, utilizando traços e desenhos típicos do material arqueológico encontrado na região. As atividades também envolveram o público infantil, em parceria com as escolas da cidade, além de palestras com especialistas e visitas a sítios arqueológicos e museus.

Os resultados obtidos até agora geraram cinco publicações: um relato sobre o projeto e a história da região, incluindo entrevistas com os moradores, um gibi que explica os princípios da arqueologia e as atividades desenvolvidas na região, um pequeno manual sobre a cerâmica arqueológica e o possível uso das grafias em produtos contemporâneos, um livro com a história do povo indígena da aldeia de Kanaí, oriundo de Pernembuco e atualmente vivendo na região e um vídeo documentário com depoimentos de diversos atores sociais envolvidos no projeto.

Imprimir esta matéria Enviar por e-mail