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Goiânia forma professores para valorização do patrimônio histórico
Daniel Chiozzini
A Secretaria Municipal de Educação de Goiânia voltará a oferecer, em 2006, um curso de Educação Patrimonial para professores do Ensino Fundamental do Município. O projeto foi exposto no I Encontro de Educação Patrimonial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), realizado entre os dias 12 e 17 de Setembro, em São Cristovão (SE). A iniciativa do curso começou em 2003, porém foi temporariamente interrompida para reavaliação após a transição do governo municipal. Segundo Euder Barretos, coordenador do projeto, devido à boa receptividade junto ao público-alvo, o projeto deve ser não apenas repetido, mas aperfeiçoado.

A idéia da realização do curso surgiu quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Ministério Público e a própria Secretaria de Educação, entre outras instituições, participavam de um processo de tombamento do centro histórico de Goiânia, que possui um conjunto arquitetônico típico dos anos 1920, com um estilo denominado art -déco. Visando ampliar o debate e reforçar a importância histórica e artística do local, a Secretaria montou um curso de formação de professores voltado para a temática da Educação Patrimonial, com 40 horas. Segundo Euder Barretos, a iniciativa foi bem recebida e levou a Secretaria a buscar parcerias, consideradas por ele como fundamentais para ampliar a experiência: “A partir daí, procuramos o Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (UFG), o Instituto do Trópico Subúmido da Universidade Católica de Goiás (UCG) e o Iphan para montarmos um curso de Educação Patrimonial para um número maior professores da rede”, afirma.

No entanto, segundo o pedagogo, a iniciativa foi além da perspectiva inicial. O curso deu origem a um programa com o objetivo de unir todas as ações ligadas ao patrimônio cultural na cidade. Foi ampliado e integrado ao curso de formação de professores, por exemplo, um projeto então denominado city tour pela cidade de Goiânia. Além disso, o programa do curso foi ampliado para 180 horas, incluindo visitas técnicas a sítios arqueológicos e museus.

Os objetivos do curso, assim, também ampliaram-se. Segundo Barretos, buscou-se então formar professores multiplicadores, que desenvolvessem projetos de educação patrimonial nas suas escolas, sempre contemplando a comunidade e seus hábitos e costumes como parte do patrimônio cultural: “Algumas escolas começaram o projeto falando do prédio onde estão situadas, outras inciaram com um grupo de rendeiras e fiandeiras do bairro, sempre começando da identidade do grupo para chegar-se a uma consciência mais ampla do patrimônio cultural”, explica.

Após as eleições municipais do final de 2004, a avaliação dos resultados não foi totalmente concluída devido a transição no governo municipal. O único retorno efetivamente mensurável foi um questionário enviado pela secretaria aos professores que apontava, de maneira unânime, que o curso deveria ser repetido.

Outra característica importante foi o fato de o curso ter agregado um grande número de instituições parceiras, o que aumentou a legitimidade da iniciativa. Barretos aponta este fato com uma grande vantagem: “Sabíamos que, independente de quem fosse o secretário da Educação e o prefeito, haveria uma cobrança das instituições parceiras para a realização do curso”, diz. Além das instituições já mencionadas, outros oito museus, arquivos e complexos culturais de Goiânia estiveram envolvidos na atividade.

O pedagogo também realça que a perspectiva atual é desenvolver outros mecanismos de avaliação do projeto, como analisar os resultados alcançados nas escolas que implementaram projetos de educação patrimonial, assim como o desenvolvimento da relação escola X comunidade: “Estamos desenvolvendo um projeto específico de coleta e avaliação de dados, com critérios e metodologia de análise”, conclui.

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