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Condepacc pretende preservar o ciclo do café em fazendas
Flávia Natércia
Resquícios do ciclo do café, que deu à região paulista de Campinas projeção política e econômica em nível nacional, deverão ser tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc). Eles se encontram em 38 áreas — 35 fazendas e 3 microusinas hidrelétricas — estudadas por técnicos da prefeitura nos distritos de Sousas e Joaquim Egídio e na Administração Regional 14. O processo de tombamento, aberto em 16 de dezembro de 2004, tem como objetivo “garantir a preservação definitiva e integral da ambiência da arquitetura rural do município de Campinas, assegurando as relações arquitetônicas, urbanísticas e espaciais estabelecidas pelo conjunto das edificações remanescentes”.

Juntamente com outras fazendas da região e dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, as áreas a serem tombadas em Campinas recontam parte da história do Brasil e ajudam a preservar a identidade rural de sua população. Em sua maioria, encontram-se inseridas na área de proteção ambiental (APA) municipal, regulamentada por lei em 2001 pelo então prefeito Antonio da Costa Santos, e que protege tanto Sousas quanto Joaquim Egídio. “A idéia é conjugar a proteção ambiental com a preservação dos bens culturais e patrimoniais”, afirma Sandra Maria Geral de Milne-Watson, arquiteta da Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), órgão da Secretaria Municipal de Cultura de Campinas de apoio técnico ao Condepacc. “Afinal, a lei que cria a APA não visa somente à conservação do patrimônio natural, mas também à preservação do patrimônio cultural e arquitetônico”.

São poucas as áreas que não sofreram descaracterizações em maior ou menor grau. Construções íntegras são menos freqüentes que vestígios arqueológicos. São casas-sede construídas com taipa de pilão ou pau-a-pique, casas de colonos, terreiros de café, portões, que remetem à segunda metade do século XIX. “Escolhemos o ciclo cafeeiro devido à sua importância para Campinas e região”, afirma Milne-Watson. “Como metade (51%) do território campineiro ainda é rural, essa identidade não pode se perder, pois grande parte dela se formou nessas fazendas”.

A necessidade de direcionar parte dos esforços de tombamento aos domínios rurais foi reconhecida por Rodrigo Melo Franco de Andrade, fundador do Iphan (à época Sphan), em 1955, num artigo para a revista Módulo. Na década de 1960, as fazendas Resgate e Pau d’Alho, no Vale do Paraíba, tiveram suas respectivas casas grandes tombadas pelo Iphan e, mais tarde, em 1982, também pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).

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