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Cartilha lembra presença do negro na história do Rio Grande do Sul
Daniel Chiozzini
A 12 ª Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (12a SR/Iphan) concluiu, no final de julho, pesquisa histórica que visa a elaboração de uma cartilha, ao voltada ao público adolescente, cujo objetivo é preservar a memória dos afro-descendentes gaúchos na formação social do Rio Grande do Sul. O trabalho foi iniciado há cerca de um ano, em julho do ano passado, a partir de um convênio com a Fundação Cultural Palmeres (FCP), entidade que assessora diversos trabalhos do Iphan na área de patrimônio imaterial. Segundo Andréia Quintanilha Sousa, que coordena a confecção do material, a pesquisa “buscou identificar e expor marcos da presença negra no estado, passíveis de reconhecimento como patrimônio, muitas vezes desconsiderado pela história que se aprende na escola.”

Entre esses marcos, está o fato do Rio Grande do Sul possuir um dos maiores números de centros de culto aos orixás, chamados no estado de “batuques”; além de modos característicos de comer, vestir e falar que persistem até os dias atuais. Os trabalhos feitos pela equipe do Iphan e pela Fundação Palmares também vão ao encontro de realidades que estão sendo reveladas por outras instituições: “É oportuno lembrar que a Secretaria de Agricultura do estado do Rio Grande do Sul mapeou 42 quilombos no estado: são cerca de 1,4 mil famílias de descendentes de escravos em 27 municípios do Rio Grande do Sul e não há como permanecermos alheios a estas realidades”, diz Sousa.

Contraponto africano

A educadora lembra que o público alvo da cartilha são os adolescentes que, muitas vezes, tem contato apenas com o papel de imigrantes europeus na formação social do Rio Grande do Sul. “Esta é uma iniciativa que preenche uma lacuna, pois existe uma invisibilidade quanto ao importante papel desempenhado pelo negro na construção da identidade gaúcha, indo além de reconhecê-lo apenas como força de trabalho”, afirma.

Andréia Quintanilha Sousa afirma que o objetivo da cartilha é também garantir o direito à cidadania à população afro-descendente e comprometer-se com mudanças efetivas, criando um instrumento para que seja cumprida a Lei no10.639, de 9 de janeiro de 2003, que torna obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas: “não basta apenas sancionar a Lei, é preciso que toda a sociedade comprometa-se a derrubar as barreiras históricas conjugadas com preconceitos velados, o que significa repensar a história do negro no Brasil”, conclui. A previsão para lançamento é novembro de 2005, durante a semana da consciência negra.

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