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Preservação de locais sagrados contribui com conservação da biodiversidade
Germana Barata
03/04/2006

A patrimonialização ajuda na valorização dos costumes de um povo, mas também à natureza. A aposta é da União Mundial de Conservação (IUCN) e da Fundação Rigoberta Menchu Tum (FRMT), que querem proteger áreas usadas para cerimônias sagradas como meio de incrementar a preservação da biodiversidade. “Pode parecer acidental, mas não é, que o local onde os indígenas vivem seja aquele de maior diversidade biológica”, afirmou Rigoberta Menchu Tum, guatemalteca e idealizadora da Fundação que recebe seu nome e vencedora do prêmio Nobel da Paz de 1992. O anúncio do programa Conservação da Riqueza em Biodiversidade de Áreas Ambientais Sagradas foi feito durante a 8a Conferência das Partes (COP-8) da Convenção de Diversidade Biológica (CBD).

Já foram selecionadas as primeiras áreas de importância global para receber projetos-piloto no México, Peru, Equador, Índia, Guiné Bissau e Quênia. Dentre elas está a região de Wirikuta, localizada no deserto de Chihuahuan no México, um dos mais ricos e biologicamente diversos do mundo. O ecossistema ocupa uma área de 140 mil hectares que abriga 70% das aves, 60% dos mamíferos e metade de todas as espécies do deserto de Chihuahuan. O sítio recebe anualmente os chamados jicareros, do povo Huichol, que conduzem um cerimonial no qual os novatos comem o cacto sagrado Lophophora williamsii que permite a comunhão destes com deuses e ancestrais. O sítio está ameaçado pelo excesso e descontrole do turismo, agricultura e exploração de aqüíferos subterrâneos, caça e tráfico ilegal de animais.

“Infelizmente, sítios sagrados também estão ameaçados e é preciso urgentemente ajudar os povos locais, tradicionais e indígenas a salvaguardar suas heranças culturais, que por sua vez podem contribuir muito na conservação da diversidade biológica e genética da qual todos nós dependemos”, enfatizou Klaus Töpfer, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Um dos propósitos da iniciativa de preservação de áreas sagradas será, segundo as metas do projeto, identificar a pertinência e significado de sítios naturais sagrados em países desenvolvidos e investigar se - e como - os valores espirituais podem contribuir para a conservação e bom uso de área naturais significativas nessas nações.

Entre os colaboradores do projeto estão inúmeras organizações voltadas à conservação da natureza, grupos de povos indígenas, unidades das Nações Unidas e governos que se esforçam para angariar os mais de US$ 1,7 milhão necessários para dar início às ações. A Global Environment Facility, um fundo mantido por países ricos e instituições multilaterais, que concede financiamento para projetos que priorizem o meio ambiente e as comunidades locais em países em desenvolvimento, já deu seu aval financeiro para o projeto.

Além de fortalecer iniciativas de conservação e sustentabilidade de áreas sagradas para povos indígenas e tradicionais do mundo, o projeto é uma medida para se atingir as metas para 2010 para minimizar a perda de biodiversidade mundial. “Conservar áreas sagradas e a sua riqueza biológica pode desempenhar um importante papel para alcançarmos as metas de 2010 e talvez agir com alarde sob práticas de desenvolvimento sustentável podem ser exportadas para áreas próximas e distantes”, disse.

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