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Mestre baiano revela força da tradição neoclássica no Brasil
Carolina Cantarino
03/04/2006

A estética colonial barroca sempre foi valorizada, historicamente, como o patrimônio nacional por excelência. O neoclássico, por sua vez, tende, ainda hoje, a ficar em segundo plano, mas possui um papel importante na história da arte brasileira, que começa a ser resgatado. Vencedor da edição de 2005 do Prêmio Clarival do Prado Valladares, concedido pela Fundação Odebrecht, Luiz Alberto Freire, professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), vem buscando, através do seu projeto de pesquisa sobre a talha neoclássica, trazer a público esse movimento artístico característico de todo o século XIX na Bahia.

Freire participou do II Encontro de História da Arte que aconteceu, na semana passada, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O historiador apresentou um estudo sobre a inusitada relação entre o altar da Catedral Metropolitana de Campinas – construída entre 1807 e 1833 - e a tradição retabilística baiana, através do trabalho de Vitoriano dos Anjos Figueiroa, entalhador que é ícone dessa tradição no Brasil. Os retábulos, grosso modo, podem ser descritos como construções de madeira que ficam atrás ou acima dos altares das igrejas.

Em 1852, o diretório responsável pelas obras da Sé de Campinas (SP) convidou Vitoriano dos Anjos para vir, com sua equipe, construir a talha da catedral. O trabalho iniciou-se pelo retábulo-mor e, nele, o entalhador concebeu um tipo de baldaquino (coroa que cobre o altar) característico dos retábulos baianos.

O primeiro registro de utilização da talha neoclássica no Brasil é de 1792, na capela da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Em 1813, a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim se torna um ícone da nova estética e influencia obras posteriores na Bahia, estado que possui o maior patrimônio de talha neoclássica do Brasil, com elementos que remetem à tradição retabilística italiana e portuguesa. “Vitoriano dos Santos trabalhou no canteiro de obras da Igreja do Senhor do Bonfim, de cujo retábulo absorveu a estrutura e o tema do arremate para compor o altar da Sé de Campinas”, lembra Luiz Alberto Freire.

O historiador tem feito outras descobertas relevantes com sua pesquisa. “Antes de conceber o retábulo campineiro, Vitoriano dos Santos fez um ensaio na cidade baiana de Valença, no altar da capela do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de São Salvador. Confirmei a relação entre essas duas obras no início desse ano”, revela Freire.

Arte sacra

Pesquisas recentes sobre arte sacra também fizeram parte do II Encontro de História da Arte da Unicamp. Beatriz Coelho, professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretora do Centro de Estudos da Imaginária Brasileira apresentou, em sua conferência, pesquisa pioneira sobre esculturas religiosas em madeira policromada desenvolvida, desde 1990, por um grupo de pesquisadores do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (Cecor), da Escola de Belas Artes da UFMG.

As primeiras imagens restauradas foram as de São Simão Stock e São João da Cruz, obras realizadas por Aleijadinho por volta de 1779 e que integram o acervo da Igreja do Carmo, em Sabará. O acervo de muitas outras igrejas das cidades históricas de Santa Luzia, Catas Altas, Ouro Preto, Mariana e Tiradentes também foram examinados pelos pesquisadores com o intuito de aprofundar o conhecimento sobre os materiais e técnicas utilizados pelos artesãos mineiros na criação de imagens devocionais durante o século XVIII e começo do XIX, assim como analisar os apectos formais e estilísticos de suas obras.

“A pesquisa, ao contribuir com o conhecimento sobre a escultura policromada, também auxilia na identificação da autoria das peças”, ressalta Beatriz Coelho. A restauradora é a organizadora de uma obra que se tornou referência na análise de imagens devocionais: Devoção e Arte: imaginária religiosa em Minas Gerais (Edusp, 2005). Além de ensaios de diversos autores, o livro conta com a reprodução de 247 imagens de obras de arte sacra.

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