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Livro auxilia professores a ensinar história da cidade
Patricia Mariuzzo
14/02/2006

Você imagina como era a vida cotidiana da sua cidade em época passadas? Como era feita a limpeza, como era o transporte? Como funcionavam as escolas? Como viviam os ricos e os pobres? Responder a estas e outras tantas questões olhando a cidade hoje é a proposta do livro Conhecer Campinas, Uma Perspectiva Histórica publicado no final de 2005 e resultado do trabalho de um grupo de professores da rede municipal de Campinas, interior de São Paulo. O objetivo da obra é, através de estudos do meio, fornecer subsídios didáticos para os professores construírem compreensões da cidade com seus alunos, permitindo-os perceber a cidade como um espaço dinâmico, como fenômeno histórico.

O projeto foi coordenado pelo professor de história Ângelo Emílio da Silva Pessoa. Ele explica que na concepção do livro a cidade é tomada como um “campo de provas”, espaço de observação. Assim, o livro está organizado por capítulos que elegem um lugar da cidade trazendo uma introdução, textos de apoio e sugestões didáticas para várias disciplinas. "O fenômeno urbano para ser compreendido necessita de uma abordagem interdisciplinar, que permita entrever vários processos e temporalidades complementares ou contraditórias que recortam o espaço da cidade", acredita Pessoa. “Isso pressupõe que a cidade pode ser lida através das mais diversas disciplinas e áreas do conhecimento, que sobre ela aplicam o seu "olhar específico" ”, completa." A elaboração do livro resultou no levantamento de mais de quinhentas imagens tendo como fonte viajantes que registraram o cotidiano de Campinas e artistas locais. O resultado é um livro fartamente ilustrado e um CD com as imagens que acompanha a publicação.

Simultaneamente à elaboração do material didático, o Departamento de Turismo da Secretaria Municipal de Cultura de Campinas elaborou um sistema de sinalização turística cultural para a região central da cidade. Os painéis, baseados em normas de sinalização turística da Embratur, vão permitir que as pessoas conheçam as referências históricas sobre espaços significativos da cidade. Eles foram divididos em MUPIs - Mobiliário Utilitário para Informação -, placas intermediárias e placas de monumentos, num total de 51 placas, das quais três já foram instaladas. A previsão da coordenadora da secretaria de turismo, Mirza Pellicciotta é de que o restante será instalado até o fim do primeiro semestre de 2006. "A ação educativa a partir do patrimônio não é distante, ao contrário deve estar relacionada com o cotidiano das pessoas", diz ela.

Descobrindo outras histórias da cidade

Normalmente a história da cidade de Campinas é ligada exclusivamente à história do ciclo do café no Brasil. “Nossa proposta quebra um pouco a idéia de uma história da cidade de Campinas como uma história dos barões do café, trazendo heterogeneidade, outras visões. Certamente o ponto nodal desta publicação é a sua forma de abordagem, que propõe relações às vezes aparentemente inusitadas entre lugares e temas, permitindo uma problematização mais profunda de diversas questões que são objeto do estudo escolar e da vida cotidiana", explica Pessoa. Isso cria a oportunidade de falar sobre cultura afro-brasileira em Campinas, história que pode ser contada a partir de uma visita ao Largo São Benedito.

O local teve ao longo do século XIX forte presença da população negra, primeiro por abrigar um cemitério de negros e depois por causa da construção da capela de São Benedito. Segundo as informações levantadas pela pesquisa sobre o local, a presença africana na área do Largo de São Benedito chegou a ser temida pelas autoridades, que transferiu para lá a forca da cidade, como forma de intimidar essa parcela da população. A capela ficou pronta em 1885, depois de várias décadas em construção, entretanto, com o tempo, os negros perderam o controle da pequena igreja. O Largo, então, recebeu uma série de transformações, incluindo outro nome, que acabaram por apagar a marca africana que havia no local.

Campinas é uma das maiores cidades brasileiras. Conhecer a cidade sob uma perspectiva histórica, é um meio de mostrar à população fragmentos do passado, de percorrer caminhos que levaram a cidade a ter a configuração urbana, geográfica e social de hoje. Um dos grandes benefícios deste conhecimento é a inclusão. “Os estudos do meio são uma possibilidade de incluir as pessoas em outros espaços da cidade para que elas se apropriem de todos os lugares e não só do seu bairro, do local onde vivem”, afirma Pessoa. O livro foi financiado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) mas sua circulação ficará restrita às escolas do município de Campinas. O grupo prevê a elaboração de um segundo volume que deve dar ênfase ao mundo rural: fazendas, ferrovias e igrejas.

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