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Reportagem
Turismo é referência para políticas de preservação na AL
Cidade do México e Havana, assim como Recife ou Salvador, alimentam indústria do turismo através da conservação do seu patrimônio histórico
Carolina Cantarino
Hotel cubano
O turismo tem participado cada vez mais como elemento de peso na seleção dos bens culturais a serem alvo de políticas de preservação. Tal situação não é restrita ao Brasil. O que se nota, é que no México a preocupação com o mercado turístico é histórica e mesmo em países como Cuba, nos quais as políticas de preservação tendem a ser monopolizadas pelo Estado, o setor privado e a indústria do turismo se fazem bastante presentes e influenciam as políticas de conservação. Essas políticas tendem a privilegiar o patrimônio de períodos específicos da história de cada país e buscam ressaltar os bens que seriam importantes para a constituição do que seria a sua identidade nacional.

Na maior ilha do Caribe, a política de preservação do patrimônio histórico é controlada pelo Estado, através da “Oficina del Historiador de la Ciudad de la Habana” cujo diretor é Eusébio Leal, considerado – depois de Fidel Castro e seu irmão, Raúl Castro – um dos homens mais poderosos do país. A realização mais recente de Leal foi a revitalização da chamada “Havana Vieja” que, ao lado de balneários luxuosos como os da cidade de Varadero, constitui-se, hoje, num pólo turístico importante em Cuba.

No México, as decisões políticas na área de preservação do patrimônio histórico são mais difusas. A revitalização do centro histórico da Cidade do México, por exemplo, está sendo conduzida por Manuel López Obrador, prefeito da cidade, e principal concorrente do presidente Vincent Fox à sucessão presidencial em 2006. Integrante do Partido da Revolução Democrática (PRD), considerado um homem de esquerda e progressista, López Obrador têm como principal parceiro na revitalização do centro histórico o magnata da área de telecomunicações Carlos Slim, proprietário da Telmex, que é controladora da Embratel no Brasil. Em 2000, Slim criou a “Fundación del Centro Histórico de la Ciudad de México” e, assim como outras iniciativas ligadas ao setor privado no México, a Fundação tem privilegiado a restauração de imóveis coloniais e a construção de grandes e novos hotéis, revelando a preocupação desse setor em atender o mercado turístico.

Mas essa preocupação não é recente. Segundo Patrice Olsen, professora do Departamento de História da Universidade do Estado de Illinois (EUA), desde a década de 1920 e logo após a Revolução Mexicana (1910-1917), quando surgem as políticas públicas de preservação do patrimônio histórico no México, já havia uma preocupação com o mercado e com o turismo. Políticos importantes desse período, juntamente com proeminentes engenheiros e arquitetos, e com o Departamento de Obras Públicas da Cidade do México, promoveram planos de restauração para enfatizar o “caráter tradicional” da praça central da cidade, conhecida como Zócalo ou Praça da Constituição, e de outros lugares e monumentos do centro histórico. “A visão era a de que os turistas estavam interessados em conhecer lugares que seriam ‘típicos’ da cultura mexicana. Por isso, o centro da cidade deveria ser mantido longe da invasão modernista, especialmente da arquitetura funcionalista”, afirma a historiadora da Universidade do Estado de Illinois.

Nesse mesmo contexto, a utilização do patrimônio histórico, pelo Estado, como elemento integrador da nacionalidade, foi imprescindível no México pós-revolucionário. Segundo Nestor García Canclini, professor titular da Universidade Autônoma do México, a partir desse período, a política cultural mexicana buscou combinar a cultura de elite e a indígena buscando utilizá-las para superar as divisões do país. O chamado indigenismo teria, então, durante décadas, guiado a arqueologia e as políticas de preservação e resgate das culturas populares, entendidas, portanto, como culturas indígenas, deixando as culturas populares urbanas, por exemplo, em segundo plano. “Sem a ação do Estado, a vasta reabilitação de sítios arqueológicos e centros históricos, a criação de tantos museus e publicações destinadas a preservar a memória, e o uso desses recursos para configurar uma identidade compartilhada, seriam inexplicáveis”, afirma Canclini em artigo publicado na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (n.º 23, 1994).

Essa intervenção estatal, sem precedentes na América Latina, segundo Canclini, transformou a produção cultural, os símbolos e a história de diversos grupos étnicos, em elementos da nacionalidade mexicana. “A difusão conjunta por todo o país dos tecidos tzotziles e das imagens artísticas da Cidade do México, da cerâmica tarasca e das pirâmides maias, formou um repertório iconográfico unificado que é visto como representativo da mexicanidade até em populações que nunca tiveram experiências diretas dessas manifestações regionais. Fazem parte do seu imaginário nacional”, afirma Canclini.

Turismo e política
A escolha de elementos e símbolos das culturas indígenas para a construção de uma identidade nacional tem a ver com um processo, ocorrido durante a Revolução Mexicana, envolvendo um movimento de questionamento da arquitetura colonial através da atuação de grupos como a Liga de Escritores e Artistas Revolucionários (LEAR), que consideravam a arquitetura colonial como um símbolo da violência e da expropriação dos povos nativos pré-colombianos pelos europeus.

Era de se esperar que em Cuba houvesse um questionamento num sentido semelhante em relação à arquitetura colonial. À época da revolução, de fato, algumas demolições foram promovidas nesse sentido. Mas, recentemente, a partir do chamado Período Especial - quando se intensifica o desenvolvimento do turismo com a internacionalização da economia cubana – o que se nota é que a política de preservação do patrimônio histórico em Cuba tem privilegiado os imóveis do período colonial, restaurados por artistas, arquitetos e outros profissionais que trabalham sob os auspícios da “Oficina del Historiador de la Ciudad de la Habana”.

O investimento estrangeiro em Cuba tem aumentado a cada ano, o que tem refletido nas políticas estatais de preservação do patrimônio histórico. Com o crescimento cada vez maior do mercado turístico, através da criação de joint ventures entre empresas estatais e empresas privadas, principalmente européias - como a rede espanhola de hotéis Sol Meliá – o governo cubano tem privilegiado a restauração e revitalização de áreas como a chamada “Habana Vieja”. A preocupação em incrementar, cada vez mais, o turismo, pode ser observada, portanto, não só nos já conhecidos balneários (como a cidade de Varadero), mas também nas restaurações urbanas de prédios e monumentos como os da “Plaza Vieja”, que convivem, lado a lado, com lojas de grife internacional como a Benetton.

O que se revela, portanto, cada vez mais, em Cuba, é a presença de uma economia dual. A economia cubana “regular” e socialista, baseada na ação do Estado nas áreas de saúde, educação e na prestação de outros serviços públicos, e a economia do turismo, capitalista, da qual somente uma parte dos cubanos, pode participar: aqueles que possuem alguém conhecido e que possa lhes indicar para uma vaga de emprego; os que falam inglês ou alguma outra língua estrangeira; os que residem perto dos balneários como Varadero.

Esses cubanos têm a possibilidade de trabalhar na indústria do turismo instalada em Cuba, mas não de usufruir dela como consumidores: “Estamos assistindo ao retorno de certos elementos da ‘exclusividade’ característica da ‘era Batista’, pré-revolucionária. Embora a revolução tenha enfatizado que os recursos naturais cubanos – como o mar e as lindas praias – deveriam ser dos cubanos, os resorts de Varadero nos dizem algo a mais: eles são, na verdade, dos estrangeiros que por eles podem pagar”, lembra Patrice Olsen.

Veja links de alguns museus em grandes cidades:

Alemanha
Architektur Galerie: http://www.weissenhofgalerie.de/
VMS Kurt-Schwitters: http://www.kurt-schwitters.org/

França
Musée des Arts et Métiers: http://www.arts-et-metiers.net/
Centre national d’art et de culture George Pompidou : http://www.cnac-gp.fr/sommaire.html
Fundação Le Corbusier: http://www.fondationlecorbusier.asso.fr/

Espanha:
Museo Nacional d’Art de Catalunya: http://www.mnac.es/

Itália
Centro di Architettura: www.acmaweb.com/

Inglaterra
Museum of Natural History: http://www.nhm.ac.uk/
Royal Academy of Arts: http://www.rafocus.org.uk/architecture/

EUA
The Museum of Modern Art: http://www.moma.org/
National Building Museum: http://www.nbm.org/

Portugal:
Instituto Português de Museus: http://www.ipmuseus.pt/

Brasil
Museu Nacional: http://acd.ufrj.br/museu/
Museu de Arte Moderna da Bahia: http://www.mam.ba.gov.br/
Museu da Cachaça: http://www.museudacachaca.com.br/
Museu de Arte de São Paulo: http://www.masp.art.br/
Museu de Arqueologia e Etnologia da USP: http://www.mae.usp.br/
Museu de Arte contemporânea do Paraná: http://www.pr.gov.br/mac/

México
Museu Nacional de Antropologia: http://www.mna.inah.gob.mx/

Argentina
Museo Jose Hernandez: http://www.naya.org.ar/mujose/

El Salvador
Museo de la Palabra y la Imagem: http://www.museo.com.sv/

Cuba
Casa Natal José Martì: http://www.bnjm.cu

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