Medicina

Novo medicamento auxiliará na prevenção de doenças cardiovasculares

sábado 3 de dezembro de 2005.
 
Um novo medicamento, o Acomplia (ou rimonabant, nome genérico), deve se tornar, a partir de 2006, um aliado dos médicos na prevenção das doenças cardiovasculares, que figuram entre as principais causas de mortalidade no Brasil e nos Estados Unidos. O Acomplia, fabricado pela companhia farmacêutica francesa Sanofi-Aventis, age atenuando três fatores de risco associados aos males do coração e dos vasos sanguíneos: altos níveis de triglicérides (uma forma de gordura), colesterol ruim (LDL, sigla em inglês para lipoproteínas de baixa densidade) e glicose no sangue.
Um novo medicamento, o Acomplia (ou rimonabant, nome genérico), deve se tornar, a partir de 2006, um aliado dos médicos na prevenção das doenças cardiovasculares, que figuram entre as principais causas de mortalidade no Brasil e nos Estados Unidos. O Acomplia, fabricado pela companhia farmacêutica francesa Sanofi-Aventis, age atenuando três fatores de risco associados aos males do coração e dos vasos sanguíneos: altos níveis de triglicérides (uma forma de gordura), colesterol ruim (LDL, sigla em inglês para lipoproteínas de baixa densidade) e glicose no sangue. Estudos clínicos fase III mostraram que doses diárias de 20 mg de Acomplia reduzem significativamente as taxas de triglicérides e glicemia e aumenta os níveis do bom colesterol (HDL, ou lipoproteínas de alta densidade). Estes resultados foram obtidos em 4 estudos com cerca de 6600 pacientes e duplo-cego ― estudos nos quais nem os médicos e nem os pacientes sabem quem está sendo tratado com o remédio ou o placebo―, com duração de dois anos, realizados nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e alguns países da Europa. Esses dados foram publicados recentemente nas revistas Lancet (365: 1389-97) e Journal de Pharmacie de Belgique (60:89-91). Diferentemente de outros medicamentos disponíveis no mercado para o tratamento da hipercolesterolemia, doença caracterizada por altos níveis de colesterol total e LDL no sangue, o Acomplia é o primeiro de uma nova classe que age bloqueando os receptores endocanabinóides 1 (CB1). Esse receptor foi identificado no cérebro por pesquisadores franceses em 1990 (Nature 346, 561-564) e está associado com a regulação do metabolismo e do apetite. Entretanto, tudo indica que a melhora promovida pelo rimonabant, no que concerne aos fatores de riscos cardiovasculares, é independente da perda de peso corporal. Sendo assim, esse medicamento não é aconselhável para quem precisa, particularmente, perder alguns quilos. Além disso, o grupo Sanofi-Aventis salienta que a principal atuação do medicamento é na redução da obesidade abdominal. A medida da circunferência abdominal é considerada hoje pelos médicos, juntamente com o índice de massa corpórea (IMC), um método eficaz para avaliar o grau de risco de um indivíduo apresentar problemas cardiovasculares. A avaliação da circunferência abdominal é simples, basta utilizar uma fita métrica posicionada na altura do umbigo. De acordo com o médico cardiologista Marcelo Scarabucci, os parâmetros considerados normais para a medida da circunferência abdominal no Brasil são até 88 cm para as mulheres, e 104 cm para os homens. "A tendência mundial é que estas medidas sejam reduzidas, não podendo ultrapassar a 80 cm nas mulheres e 90 cm nos homens", afirma Scarabucci. Atualmente, pacientes que apresentam potencial para desenvolver alguma doença cardiovascular são tratados com o ácido nicotínico (vitamina B1 ou niacina), usado para baixar os níveis de colesterol total, LDL e triglicérides, além de aumentar o HDL. Os resultados clínicos sugerem que o novo remédio será mais eficaz do que o ácido nicotínico existente no mercado para o aumento dos níveis de HDL. De acordo com os estudo clínicos divulgados, os pacientes apresentaram efeitos colaterais leves e transitórios como náusea, diarréia, tontura e ansiedade, apenas nos primeiros meses de tratamento. O Acomplia aguarda liberação pelos órgãos reguladores Food and Drug Administration (FDA), norte-americano, e European Agency for the Evaluation of Medicinal Products (EMEA) para ser comercializado. A previsão da Sanofi-Aventis é de que o medicamento chegue às farmácias brasileiras em 2007.
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