IPT investe em pesquisas nanotecnológicas

Aquisição de novos equipamentos e estrutura física, vão garantir avanços na área
quarta-feira 17 de março de 2010.
 
Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), acaba de adquirir microscópio eletrônico de varredura, que permitirá o aprimoramento de pesquisas na área de nanotecnologia. Setores farmacêutico e de cosméticos são alguns beneficiados por essa linha de estudos.

A possibilidade de produzir materiais por meio de princípios nanométricos acabou mudando completamente os métodos atuais de fabricação de produtos utilizados em áreas como biotecnologia, medicina e farmacologia. Estima-se, por exemplo, que cerca de 600 produtos contendo nanomateriais estão no mercado em todo o mundo. Pensando nesses avanços científicos em escala nano - prefixo usado para designar um bilionésimo) - o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) acaba de adquirir um microscópio eletrônico de varredura (MEV), que permitirá aprimorar pesquisas nessa área.

“A ideia central é expandir o uso do equipamento para todos os laboratórios do IPT que busquem respostas em uma escala micrométrica ou nanométrica”, disse Marcelo Moreira, pesquisador do Centro de Tecnologia de Processos e Produtos (CTPP) do IPT. Um dos projetos de pesquisa em que o MEV dará suporte é na caracterização da espessura e morfologia de materiais visando a preparação de nanofibras aplicadas em novas vias de uso de medicamentos através de patches (adesivos). Diferente do uso de comprimidos, os adesivos têm a vantagem de liberar de maneira controlada os ativos farmacológicos na pele do paciente.

Segundo Moreira, o MEV recém-adquirido tem a vantagem de ser utilizado em diversos projetos que vão além de linhas de pesquisa em nanopolímeros e nanocosméticos. Com certas peculiaridades que o fazem diferente dos microscópios de varredura convencionais, o novo modelo possui uma fonte de elétrons FEG (field emission gun, em inglês), a qual permite uma alta ampliação da imagem, e um sofisticado sistema de vácuo. “Em termos de resolução, um MEV convencional atinge de 20.000 a 80.000 vezes, com a fonte FEG pode-se atingir de 300.000 a 500.000 vezes”, afirma Moreira.

A partir de um investimento do Governo do Estado de São Paulo de 1,046 milhão de euros, o CTPP conta ainda com uma câmara criogênica capaz de congelar amostras a serem analisadas no MEV. “Com esse modelo de microscópio e com a câmara criogênica, podemos observar qualquer tipo de material: metálico, não-metálico, células e materiais orgânicos contendo água”, diz o pesquisador, explicando a capacidade do MEV de caracterizar uma ampla gama de materiais.

Na opção de baixo vácuo pode-se observar amostras não-condutoras, assim como no modo de vácuo ambiental é possível caracterizar amostras contendo água em sua composição - recurso fundamental para viabilizar pesquisas em centros de biotecnologia. Nessas opções de vácuo a amostra sofre menos alterações para ser visualizada, isto é, interfere-se menos na estrutura da amostra por não ser mais necessária a retirada de água ou cobri-la com um material condutor (como o ouro) no momento da observação. Mais uma curiosidade é que o MEV permite observar organismos vivos, que podem se movimentar na hora da visualização.

Novo centro de bionanotecnologia

Entre as novidades de pesquisas na área nano, o IPT deve inaugurar, no final de 2010, o Centro de Bionanotecnologia, que vai agregar estudos em biotecnologia (desenvolvimento com organismos vivos), tecnologia de partículas (microencapsulação de componentes químicos e terapia medicinal, como em cosméticos), micromanufatura de equipamentos e metrologia.

Uma das propostas do centro, cuja edificação deverá custar em torno de R$ 21 milhões, é conter uma área destinada a encontros de pesquisadores para a discussão de projetos relacionados em nanotecnologia. No começo deste ano, o IPT reuniu representantes de empresas, centros de pesquisas e universidades no intuito de criar uma rede de inovação do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec) na área de nanocosméticos.

A rede temática de centros de inovação tem como objetivo atender demandas específicas do setor de cosméticos por meio de uma maior aproximação da comunidade acadêmica com as empresas. Até então, foram articuladas 11 redes temáticas Sibratec de centros de inovação.

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