Conservação

Pesquisadores avaliam a situação de conservação de pequenos mamíferos

quarta-feira 26 de outubro de 2005.
 
Cerca de 40 especialistas em pequenos mamíferos brasileiros se reuniram entre os dias 16 e 19 de outubro em Aracruz, Espírito Santo, para avaliar a situação de conservação de mais de 400 espécies de roedores, marsupiais e morcegos que ocorrem no Brasil, Suriname, Guianas, Uruguai e Paraguai. A Avaliação Global de Mamíferos (GMA) é uma iniciativa da União Mundial pela Natureza (UICN), no Brasil em parceria com a Fundação Biodiversitas e resultará na Lista Vermelha internacional de espécies ameaçadas de extinção. A reunião desta semana foi organizada em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, que organizaram também o III Congresso Brasileiro de Mastozoologia (estudo dos mamíferos), que terminou no último dia 16, no mesmo local.

Cerca de 40 especialistas em pequenos mamíferos brasileiros se reuniram entre os dias 16 e 19 de outubro em Aracruz, Espírito Santo, para avaliar a situação de conservação de mais de 400 espécies de roedores, marsupiais e morcegos que ocorrem no Brasil, Suriname, Guianas, Uruguai e Paraguai. A Avaliação Global de Mamíferos (GMA) é uma iniciativa da União Mundial pela Natureza (UICN), no Brasil em parceria com a Fundação Biodiversitas e resultará na Lista Vermelha internacional de espécies ameaçadas de extinção. A reunião desta semana foi organizada em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, que organizaram também o III Congresso Brasileiro de Mastozoologia (estudo dos mamíferos), que terminou no último dia 16, no mesmo local.

O projeto envolve mais de 10 mil cientistas e 180 países. Segundo Wes Sechrest, coordenador da reunião, com a lista vermelha a UICN pretende identificar e documentar as espécies com necessidade de medidas de conservação, fazer um índice global de degeneração da biodiversidade, estabelecer um contexto global para prioridades de conservação e fornecer informações de base para estudos e estratégias conservacionistas.

Durante o encontro, os especialistas se dividiram em grupos de trabalho que discutiram cada espécie de roedores, marsupiais e morcegos. As informações compiladas incluíram alterações ou incertezas taxonômicas, mapas de distribuição, biologia dos animais, preferências de habitat, ameaças principais à espécie, medidas de conservação necessárias e em curso, utilização pelo homem e situação em outras listas vermelhas. François Catzeflis, da Universidade de Montpellier (França), avalia que cerca de 50 espécies descobertas recentemente foram acrescentadas à lista da UICN, o que evidencia o avanço no conhecimento sobre os mamíferos brasileiros. Ao todo, foram avaliadas cerca de 220 espécies de roedores, 150 de morcegos e 50 de marsupiais. Após reunido todo o conhecimento disponível, cada espécie foi classificada em categorias que definem sua situação em termos de conservação. De acordo com Yuri Leite, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), entre 15 e 20 roedores, 5 morcegos e 3 marsupiais foram considerados sob algum grau de ameaça. Outra categoria que reflete possível ameaça é a de “dados insuficientes”, em que são classificadas espécies sobre as quais não se tem informação suficiente, mas há razões para crer que estejam correndo risco. Nessa categoria caíram entre 15 e 20 roedores, 15 morcegos e 4 marsupiais.

Esse tipo de avaliação global poderá nortear futuras estratégias de preservação da biodiversidade mundial. No entanto, diversos pesquisadores presentes no Congresso Brasileiro de Mastozoologia manifestaram preocupação com a elaboração de listas vermelhas. Muitos concordam que as informações sobre a fauna brasileira são, em muitos casos, extremamente escassas, o que torna as propostas de conservação infundadas. Esta situação é agravada pela atenção dada às espécies ameaçadas, em detrimento daquelas sobre as quais quase nada se sabe. Alexandre Percequillo, da Universidade Federal da Paraíba, chamou atenção para o fato de que a Fundação Biodiversitas abriu um novo edital para financiar projetos com espécies ameaçadas. “Continuamos sem verba para estudar o que não sabemos”, lamenta o pesquisador.

Os dados serão agora organizados na sede da UICN e conferidos por uma comissão que avalia a coerência entre diversas avaliações regionais. Em novembro os dados estarão disponíveis para que os participantes da reunião verifiquem as informações, que serão em seguida reunidas com as demais avaliações regionais.

Leia mais-Cientistas brasileiros discordam de avaliação internacional de anfíbios ameaçados de extinção, notícia na ComCiência.

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