Segurança no setor elétrico exige projetos de inovação

segunda-feira 7 de dezembro de 2009.
 
Com as mudanças climáticas, os projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I) no setor elétrico devem ganhar cada vez mais destaque. Se o aquecimento médio global chegar a 4ºC, deverá ocorrer um aumento médio no número de descargas atmosféricas em todo o país até o final do século.

Com as mudanças climáticas, os projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I) no setor elétrico devem ganhar cada vez mais destaque. Se o aquecimento médio global chegar a 4ºC, deverá ocorrer um aumento médio no número de descargas atmosféricas em todo o país até o final do século, variando de 70 a 150% de acréscimo. Além disso, as variações de precipitação podem afetar a geração de energia hidrelétrica e a intensificação de tempestades severas com ventos e precipitações intensas poderão afetar também a distribuição e a transmissão de energia.

De acordo com as conclusões do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico, divulgadas no relatório “Position paper: o setor elétrico e as mudanças climáticas”, “para o setor elétrico brasileiro, o maior desafio de hoje é identificar os impactos das mudanças climáticas no setor”. Os projetos de P,D&I com essa preocupação deverão ter grande importância estratégica para a segurança energética do país. Com as mudanças climáticas, o conceito de redes inteligentes (ou smart grids, em inglês), também vem sendo cada vez mais fortalecido no setor elétrico. A ideia de redes inteligentes, largamente utilizada por países do exterior, prevê redes de alta tecnologia, que pressupõe um alto nível de automatização.

Esse é o caso do projeto SitRaios, desenvolvido pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com a EDP Bandeirante e a Logica. “Este projeto se insere nas redes inteligentes porque trata da convergência total dos dados de descargas atmosféricas e de ativos da empresa, dentro de uma planta georeferenciada. Dessa forma, podemos correlacionar efeitos na rede tanto em espaço como tempo, porque todos esses eventos são sincronizados pelo GPS. Isso nos permite aplicar inteligência para o desenvolvimento de aplicações que possam melhorar o produto e a qualidade da nossa rede”, diz o gerente do projeto, Vitor Gardiman.

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A EDP Bandeirante atende 28 municípios do estado de São Paulo, localizados em uma região de grande incidência de raios. Em alguns locais, ocorrem até 15 raios por km2, valor equivalente ao pico registrado na Flórida, estado que detém a maior incidência de raios nos Estados Unidos. A EDP tem um prejuízo anual de milhões de reais com a quebra de isoladores, danos à rede e queima de transformadores. O SitRaios integrou o setor público e privado e fez inovações ao desenvolver um software, que integra dados de ativos da empresa (como linhas de transmissão, distribuição, transformadores, etc) e informações de descargas atmosféricas do Inpe.“Ter uma aplicação, ter uma ferramenta que nos permita analisar em tempo real onde estão ocorrendo as descargas atmosféricas, é uma vantagem competitiva muito grande para a nossa empresa, para que possamos atuar o mais rápido possível na recomposição da rede”, comenta Gardiman.

O projeto fez parte do Programa de P,D&I para Aumento da Qualidade de Energia e da Eficiência Energética, que visa o desenvolvimento de tecnologias nessa área, e foi regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Eleito pela agência como um dos melhores projetos para compor a Revista P&D Aneel n°3, o SitRaios tem como objetivo fazer com que o re-estabelecimento de energia ocorra de forma mais rápida. Como resultado, o SitRaios traz benefícios para a sociedade com a melhora na qualidade de energia.

Com a escolha do projeto pela revista da Aneel, a pedido da agência, foi elaborado um vídeo institucional sobre o software, que foi premiado com o título de Distinção Especial da Mostra Latino Americana de Vídeo Científico, realizada em outubro, em São José dos Campos (SP).

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