Novo combustível vegetal pode ser usado em aeronaves

quinta-feira 15 de outubro de 2009.
 
Um novo tipo de bioquerosene pode ser uma boa opção ao combustível fóssil usado hoje em dia na aviação. O novo produto foi desenvolvido por uma equipe da Faculdade de Engenharia Química (FEQ), na Unicamp, e teve sua patente depositada pela Agência de Inovação (Inova) da universidade.

Um novo tipo de bioquerosene pode ser uma boa opção ao combustível fóssil usado hoje em dia na aviação. O novo produto foi desenvolvido por uma equipe da Faculdade de Engenharia Química (FEQ), na Unicamp, e teve sua patente depositada pela Agência de Inovação (Inova) da universidade.

Segundo o professor Rubens Maciel Filho, um dos pesquisadores envolvidos no projeto, o novo bioquerosene possui características de uso similares às do querosene fóssil e se encontra pronto para ser comercializado. Maciel explica que as grandes inovações que esse produto traz são a alta taxa de conversão na reação que transforma óleo vegetal em bioquerosene, a purificação elevada do produto final e o baixo custo de todo o processo. “O nosso produto é obtido com baixo custo de energia (menos de 5 centavos de real por litro de bioquerosene), o que leva o bioquerosene a ser um produto mais barato que o querosene fóssil”, aponta.

O novo processo é bastante sofisticado, o que garante um alto grau de pureza. Após a produção do bioquerosene, a separação dos produtos da reação é intensificada, permitindo a retirada de impurezas como glicerídeos e ácidos graxos, resultando em uma purificação de 99,9% ou mais. “Devido à sua alta pureza, ele pode ser usado em altas altitudes, o que era uma limitação frequente em biocombustíveis para uso em aviões”, explica Maciel. Além disso, análises realizadas na Unicamp e no Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT) de São Paulo confirmaram que o novo combustível respeita os parâmetros da Agência Nacional de Petróleo (ANP), sendo adequado ao uso por aviões.

Outro ponto positivo apontado por Maciel é o fato de que a matéria prima do processo, ou seja, os óleos vegetais necessários para a fabricação do novo bioquerosene podem ser provenientes de qualquer natureza, até mesmo de algas. Para Maciel, o novo produto vem atender a uma demanda crescente por combustíveis alternativos, menos poluentes. “Como o bioqueresene é produzido a partir de óleos vegetais e de bioetanol (dois reagentes de fontes renováveis), estaremos re-absorvendo o CO2 gerado na queima. A IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), que organiza mais de 95% dos voos comerciais, tem como meta a redução do balanço positivo de CO2 por volta de 15% até 2020. Isso já é possível com nosso produto, fazendo um blend (mistura) com querosene fóssil, se não quisermos usar o bioquerosene puro”, enfatiza Maciel.

Além de dominar as técnicas necessárias para a produção do novo bioquerosene, os novos processos desenvolvidos pelo grupo da Unicamp estão prontos para ser utilizados em grande escala. “Temos o procedimento para fazer o scale-up (aumento de produção), pois desenvolvemos todo o processo e os equipamentos para a obtenção do bioquerosene”, completa Maciel.

Mas a utilização do novo bioquerosene não se limita apenas à aviação. Ele explica que depois de depositada a patente, eles já foram abordados por duas empresas interessadas, uma que quer utilizar o novo bioquerosene em transporte terrestre e outra em processos. Isso porque o bioquerosene não é nocivo à saúde, o que reduz bastante a insalubridade observada por funcionários em empresas que usam combustíveis fósseis em seus processos. “O bioquerosene não emite partículas, compostos nitrogenados e a base de enxofre, que são os poluentes produzidos pelo querosene fóssil”, conclui o pesquisador.

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