Novo prédio da Embrapa na África fortalece cooperação científica

terça-feira 29 de abril de 2008.
 
A Embrapa inaugurou, no último dia 20, o prédio onde será a sede do escritório da empresa em Gana. Presente na África desde 2006, a Embrapa fortalece com a nova sede um extenso programa de cooperação científica e tecnológica com diversos países do continente.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) inaugurou, no último dia 20, o prédio onde será a sede do escritório da empresa na cidade de Acra, capital de Gana. A empresa possui, desde novembro de 2006, um escritório regional na África - a Embrapa África -, e com a nova representação em Gana, fortalece um extenso programa de cooperação científica e tecnológica com diversos países do continente que vem implementando desde então.

Segundo informações de Elísio Contini, chefe da Assessoria de Relações Internacionais da Embrapa, em nota à imprensa, a crescente demanda de cooperação na área do desenvolvimento tecnológico da agricultura desses países decorre, dentre outros aspectos, da intensificação das atividades da política externa do Brasil com o aprofundamento das relações com a África, além do interesse dos próprios países africanos na busca de tecnologia agrícola tropical, área em que a Embrapa tem grande experiência.

A Embrapa atua externamente desde 1997 e seu modelo de atuação varia conforme a região. Os países africanos respondem atualmente por 60% das solicitações de assistência técnica e de desenvolvimento de recursos humanos à empresa. Seguindo a estratégia de cooperação internacional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da política externa do governo brasileiro, a Embrapa África tem foco na transferência de tecnologias e na promoção e fomento do desenvolvimento social e do crescimento econômico dos países africanos, mediante o compartilhamento de conhecimentos e de experiências no campo do desenvolvimento tecnológico da agropecuária, agrofloresta e meio ambiente. Segundo Contini, a empresa vai atuar de acordo com as políticas do governo brasileiro e considerando as solicitações recebidas de governos africanos.

O escritório regional na África deverá conceber projetos e atividades de transferência e aplicação de tecnologias desenvolvidas ou adaptadas pela empresa, através de seus centros de pesquisa. “Em decorrência das possíveis mudanças que ocorrerão no sistema produtivo agropecuário de muitos países no continente africano, espera-se a abertura de oportunidades para estabelecimento de novos mercados aos produtos do agronegócio brasileiro”, diz Contini. A Embrapa África objetiva contribuir com países africanos aumentando a capacidade de produção agropecuária, gerando crescimento econômico sustentável, reduzindo as desigualdades sociais, combatendo a fome e aumentando a segurança alimentar através da transferência de conhecimento, do uso de tecnologia apropriada para produtos e serviços e do desenvolvimento de recursos humanos.

O escritório regional conta, atualmente, com dois profissionais, um coordenador e um técnico executivo, estabelecidos pelo prazo de dois anos em Gana, que desenvolverão suas atividades em articulação com as unidades centrais e descentralizadas da Embrapa, por intermédio da Assessoria de Relações Internacionais da Empresa, e serão responsáveis pela elaboração de um plano de trabalho e pela articulação e coordenação da sua implementação, mediante aprovação da diretoria.

Os custos relativos à execução do plano de trabalho, inclusive os deslocamentos de especialistas da Embrapa e a formação de recursos humanos, deverão ser cobertos com recursos da cooperação brasileira para o continente e, sobretudo, com aportes provenientes da articulação com organismos multilaterais e de doadores bilaterais.

Cooperação na saúde

À semelhança da Embrapa no campo da agricultura, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai abrir ainda este ano um escritório de representação em Maputo, Moçambique, por decisão do presidente Lula, a fim de colaborar técnica e cientificamente com os países africanos no campo da saúde. No ano passado, a Fiocruz abriu um curso de mestrado em Saúde Pública, em Angola, e em março deste ano, em Ciências da Saúde, em Moçambique, com apoio da Capes, CNPq e da Agência Brasileira de Cooperação.

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