IPT mede a poluição emitida pelos ônibus urbanos

quinta-feira 1º de novembro de 2007.
 
O IPT avaliou a eficiência dos recursos tecnológicos de redução da emissão de poluentes já em uso nos ônibus urbanos. A SPTrans, a Fundação Hewlett, o ISSRC, órgãos do governo e diversas empresas colaboraram com os testes

O ar das grandes cidades contém muito mais do que gases de efeito estufa (GEE), responsáveis pelo aquecimento global. Em uma metrópole, quando você respira, inala os chamados gases tóxicos, alguns deles até cancerígenos, como é o caso do benzopireno. Grande parte dessa contaminação do ar é causada pelos veículos movidos a óleo diesel. De olho no problema, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) testou a eficiência das tecnologias desenvolvidas para reduzir a poluição produzida pelos ônibus em circulação.

O método dos testes aplicados pelo IPT foi inédito. No Brasil, a legislação determina que as emissões por veículos pesados sejam avaliadas em laboratório através do dinamômetro de motor, um equipamento que simula as condições de carga enfrentadas no trânsito. O IPT, porém, avaliou os ônibus embarcados e em circulação, simulando até mesmo o perfil de emissão dos veículos em um congestionamento. Os testes foram executados no Expresso Tiradentes e na pista que dá acesso ao Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo.

Movido pela energia elétrica gerada por um motor diesel, o ônibus híbrido consome menos óleo diesel e emite menos poluição. No modelo testado - único disponível no mercado nacional - a redução das emissões de poluentes foi menor do que se esperava. Segundo o engenheiro Silvio Figueiredo, pesquisador do IPT, deve-se levar em conta que esses veículos utilizam uma tecnologia em desenvolvimento, de poucos anos, que precisa ser trabalhada. Mais caros que os convencionais, os ônibus híbridos são projetados para consumir menos combustível, o que sugere sua adoção seja compensadora em longo prazo.

Outro modelo avaliado foi o motor a gás. Importado da Europa, o ônibus a gás testado é um EEV (Enhanced Environmentally Friendly Vehicle), um veículo cuja emissão é excepcionalmente compatível com o meio ambiente. Contudo, em termos energéticos, ele consumiu mais do que os veículos a diesel.

A equipe também avaliou medidas urbanas de redução de emissão. Ao evitar engarrafamento, os corredores de ônibus provaram que reduzem o consumo de combustível e a emissão de poluentes. Segundo Figueiredo, no corredor Expresso Tiradentes, a emissão caiu pela metade, mas, por outro lado, o custo dessa solução é muito elevado.

Os testes constataram a eficiência do óleo diesel com baixo teor de enxofre na redução das emissões de material particulado, isto é, partículas sólidas e líquidas muito pequenas que ficam suspensas na atmosfera, como a fumaça. “O óleo diesel com baixo teor de enxofre pode ainda viabilizar soluções mais sofisticadas de sistemas de pós-tratamento (catalisadores)”, lembra Figueiredo, esclarecendo que esses sistemas “exigem que o combustível tenha baixo teor de enxofre”. Os catalisadores - de maneira geral, eficientes conforme os testes do IPT - são instalados em veículos novos ou em circulação para reduzir a emissão.

Participaram dos testes a SPTrans, a Fundação Hewlett e a International Sustainable Systems Research Center (ISSRC) dos Estados Unidos, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) e as secretarias estadual e municipal de meio ambiente. Diante dos resultados, Figueiredo explica que a escolha e a adoção dessas tecnologias dependem de novas avaliações que identifiquem aquelas que, atendendo aos limites impostos legalmente, apresentem maiores vantagens em termos de eficácia, custo e benefício.

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