Semana Nacional de Epilepsia fortalece luta contra estigma

quarta-feira 19 de setembro de 2007.
 
Várias cidades de todo o Brasil participaram até o dia 14 de setembro da V Semana Nacional de Epilepsia, em que foram realizadas palestras, atividades culturais, distribuição de panfletos informativos, caminhadas e corridas, com o intuito de ampliar a dimensão da campanha mundial “Epilepsia fora das sombras”, da Organização Mundial de Saúde.

Várias cidades de todo o Brasil participaram até o dia 14 de setembro da V Semana Nacional de Epilepsia, em que foram realizadas diversas atividades de divulgação e conscientização da comunidade em geral sobre a situação das pessoas com epilepsia e de seus familiares. As palestras, atividades culturais, distribuição de panfletos informativos, caminhadas e corridas, tiveram o intuito de ampliar a dimensão da campanha mundial “Epilepsia fora das sombras”, da Organização Mundial de Saúde, tornando a epilepsia mais visível na sociedade. Esta campanha desenvolve projetos em diversos locais do mundo com a finalidade de melhorar a identificação da doença e a forma de lidar com as pessoas com epilepsia, aumentando a participação da comunidade e criando um modelo de tratamento integral aos pacientes e familiares.

A Semana Nacional de Epilepsia foi criada há quatro anos para dar início a um movimento nacional de conscientização e de desestigmatização da epilepsia. A primeira edição do evento aconteceu em setembro de 2003 em 11 cidades do Brasil, na mesma semana do Dia Nacional e Latino Americano de Epilepsia, que acontece no dia 09 de setembro. Segundo Paula Teixeira Fernandes Boaventura, presidente da organização não-governamental Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia (Aspe), a realização da Semana Nacional de Epilepsia ajuda a divulgar o tema de modo que as pessoas saibam mais e convivam melhor com a doença, além de contribuir com a inserção social do paciente na sociedade.

Na cidade de Campinas (SP), o evento foi realizado pela Aspe em parceria com o Departamento de Neurologia, a Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Preac) e a Liga de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, junto com a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Campinas e com a Associação de Pessoas com Epilepsia de Campinas (Apecamp). As expectativas com relação ao evento, segundo os organizadores, foram atingidas. “É interessante quando as pessoas falam sobre como é bom conhecer mais sobre o tema, ou então, a divulgação para pessoas que nem sequer imaginavam o que é a epilepsia”, diz Boaventura.

“A epilepsia é ainda um diagnóstico que carrega estigma. A pessoa, bem como sua família, sofrem com o preconceito a ponto de não conseguirem voz na sociedade. A Semana Nacional de Epilepsia é um movimento que busca ao mesmo tempo educar a sociedade para lidar melhor com as diferenças e sinalizar para as pessoas com epilepsia e suas famílias para que busquem os seus direitos”, afirma Li Li Min, professor de neurologia da Unicamp e presidente fundador da Aspe.

A epilepsia é a condição neurológica crônica mais freqüente no mundo e afeta 1,8% da população brasileira, o que equivale a aproximadamente três milhões de pessoas, de todas as idades e classes sociais. “O tratamento com as medicações atuais pode controlar totalmente as crises em 70% dos pacientes, mas muitos, infelizmente, sequer fazem esse tratamento”, explica Li Min. Isso acontece porque alguns pacientes nunca procuraram ou desconhecem a existência de tratamento, não querem tratar ou, ainda, por causa dos efeitos colaterais causados pelas drogas usadas. Entretanto, a pessoa com epilepsia que não controla suas crises apresenta uma qualidade de vida ruim e sofre grande preconceito, além de não conseguir se inserir na sociedade, ter maior dificuldade para conseguir emprego e para formar uma família.

Há muitas perspectivas com relação às pesquisas relacionadas à epilepsia no Brasil e no mundo mas também há desinformação quanto ao que já se conhece. “Temos muitos estudos sendo conduzidos e que vão desde a área de diagnóstico para detecção de lesões causadoras de epilepsia até a busca de novas medicações ou formas de tratamento. Mas muito já foi alcançado e poderia ser adotado”, finaliza Li Min.

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