Minas Gerais

Resistência do café à ferrugem é tema de workshop internacional

quinta-feira 22 de setembro de 2005.
 
A incidência de ferrugem em algumas lavouras brasileiras, cultivadas com variedades de café resistentes ao fungo Hemileia vastarix Berk et Br, tem preocupado pesquisadores da área. A hipótese do surgimento de uma nova raça do fungo causador da doença ou, ainda, problemas na manipulação durante a fase de melhoramento serão temas em debate no seminário internacional, a ser realizado de 26 a 28 de setembro, na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. Foram convidados pesquisadores de vários países- Suíça, Portugal, França, Inglaterra, Holanda - para intercâmbio de informações com os especialistas brasileiros no assunto.

A ferrugem é a doença mais comum das lavouras de café. O desenvolvimento de novos cultivares por meio de melhoramento genético é considerado pelos especialistas como a melhor alternativa para enfrentar o fungo Hemileia vastarix Berk et Br, que tem mais de 45 diferentes raças conhecidas, 17 só no Brasil. A resistência dessas variedades têm apresentado curta durabilidade em condições de campo, algumas apresentando até 10 % de contaminação. Embora ainda não represente perdas econômicas significativas ao produtor, se comparadas às provocadas pela ferrugem em cultivos tradicionais, existem várias pesquisas, hoje, para detectar as possíveis causas dessa perda de resistência dos novos cultivares, bem como formas de conter sua propagação.

“Quando o Hemileia atinge o cafezal formado a partir de sementes melhoradas, a severidade tende a ser menor do que em lavouras tradicionais”, explica Laércio Zambolim, pesquisador de Viçosa e organizador do workshop. No seminário, além da apresentação dos estudos mais recentes sobre o tema, a expectativa é de se firmarem acordos de cooperação internacional.

Mercado internacional

O Brasil é responsável por 40% da produção mundial de café e consome 14,4 milhões de sacas por ano, perdendo apenas para os Estados Unidos, primeiro no ranking de consumo, com 20 milhões de sacas por ano. Em 2005, o faturamento das exportações brasileiras de café deve atingir US$ 3 bilhões, 15% maior que os US$ 2,6 bilhões registrados no ano passado, segundo previsões do secretário de produção agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Linneu Costa Lima, divulgadas no site da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

O 1º Workshop Internacional Sobre Resistência Durável do Cafeeiro à Ferrugem será realizado pelo Departamento de Fitopatologia da UFV, com os apoios do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), do Centro de Investigações das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC), de Portugal e do Institute de Recherche et Dévelopment (IRD), da França. Durante o evento será lançado um livro com artigos dos palestrantes. A programação completa está disponível no site: www.bioagro.ufv.br/workcafe.

Tradição em café

O Programa de Melhoramento Genético do Cafeeiro Com Resistência à Ferrugem na Universidade Federal de Viçosa foi iniciado em meados da década de 1970, a partir de uma cooperação com o Centro de Investigações das Ferrugens do Cafeeiro, localizado em Oeiras, Portugal. O material do banco de germoplasma utilizado nessas pesquisas vinha do Híbrido de Timor, uma variedade que serve até hoje como matriz para as pesquisas, já que possui fatores de resistência ao H. vastatrix e clones diferenciadores das raças fisiológicas de H. vastatrix. Em 1974 o Programa foi associado à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), e a parceria resultou no lançamento de sete variedades.

Mais tarde, na década de 1980, foi desenvolvida a Calda Viçosa, uma mistura de nutrientes e cobre que nutre o cafeeiro e proporciona o controle químico da ferrugem. Até hoje, esse composto é usado no Brasil, principalmente por pequenos produtores uma vez que o método é eficiente, econômico e não-poluente. Apesar de não ser a instituição brasileira com maior número de cultivares de café resistentes à ferrugem - a grande maioria foi criada pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC)- a universidade conta com cerca de 80 professores e pesquisadores, 350 alunos de graduação e pós-graduação dedicando-se a pesquisa com café nas mais diversas áreas.  

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