Políticas do Trabalho e Globalização

Trabalhadores e professores unem-se por “Universidade Global do Trabalho”

sexta-feira 16 de setembro de 2005.
 
Objetivo é oferecer ao trabalhador maior capacidade analítica e de negociação em tempos de desregulamentação do trabalho. Curso piloto já funciona desde 2004, na Alemanha, e novos devem ser abertos na América Latina, Ásia, Europa e América do Norte nos próximos anos.

A Unicamp é “parceira” em um ousado projeto: a constituição de uma Universidade Global do Trabalho, que estreite a relação entre sindicatos do mundo todo, a Organização Internacional do Trabalho e a comunidade científica. Hansjörg Herr, coordenador da iniciativa, esteve no Brasil no início de setembro para conhecer melhor a situação do país e observar as pesquisas desenvolvidas na área.

No escopo do plano, um curso piloto de mestrado em “Políticas do Trabalho e Globalização” está sendo realizado na Universidade de Kassel e na Escola de Economia de Berlim, com 23 alunos de diversas nacionalidades, desde 2004. Hansjörg Herr classificou a experiência como um “sucesso”. Alguns exemplos do êxito são a criação de um grupo (de alunos e professores) realmente internacional e a organização de estágios para estudantes em Genebra, na sede da OIT, e em Bruxelas, na confederação de sindicatos europeus (ETUC). Depois desse experimento, o objetivo é implementar cursos de mestrado no Brasil e na África do Sul para, nos próximos anos, disseminá-los para outras universidades da América Latina, África, Ásia, Europa e América do Norte.

O Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT/IE) da Unicamp acompanhou de perto a concepção do projeto e teve, através do professor e pesquisador Davi José Nardy Antunes, participação em seminários e exposição de trabalhos na Alemanha.

A capacidade analítica e a habilidade política dos trabalhadores são fundamentais para enfrentar questões que, cada vez mais, têm minado a regulação do trabalho em âmbito internacional. Um projeto que vise à qualificação estratégica e tenha o rigor da academia para os sindicatos é, certamente, um fortalecimento para a classe nos áridos debates sobre políticas econômicas e sociais.

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