WiMesh é nova promessa para transmissão digital sem fio

quarta-feira 11 de outubro de 2006.
 
Muito se fala sobre as tecnologias sem fio (ou wireless) como o futuro da transmissão digital de dados no mundo. Ainda pouco em evidência, porém, a tecnologia das redes Mesh sem fio promete revolucionar a comunicação pois segue uma lógica diferente das demais: quanto mais usuários ativos, mais eficiente é a transmissão.

Muito se fala sobre as tecnologias sem fio (veja reportagem na ComCiência) (ou wireless) como o futuro da transmissão digital de dados no mundo. No Brasil, a discussão sobre o leilão das faixas de freqüência de transmissão de 3,5 e 10,5 Ghz para WiMax, suspenso pelo Tribunal de Contas da União (TCU), está no centro das atenções. As empresas que adquirirem as licenças no leilão poderão oferecer o acesso a essa tecnologia, que possui alcance de até 50 Km, bem maior do que o da já conhecida WiFi (de cerca de 100m). Ainda pouco em evidência, porém, a tecnologia das redes Mesh sem fio (também chamada WiMesh) promete revolucionar a comunicação, sobretudo nos grandes centros, pois segue uma lógica diferente das demais: quanto mais usuários ativos, mais eficiente é a transmissão.

O Seminário Futurecom 2006, realizado entre os dias 2 e 5 de outubro em Florianópolis (SC), trouxe como um dos temas as vantagens da tecnologia WiMesh. Para Josh Chai, diretor de desenvolvimento de soluções da D-Link, “o sistema WiMesh é revolucionário, mas poderá relacionar-se com WiFi e WiMax em função das necessidades dos usuários”.

A grande vantagem do WiMesh é a possibilidade de comunicação mútua entre todos os pontos de transmissão e acesso, sem a necessidade de direcionar o tráfego de dados para uma torre central. Assim, se um endereço da internet que interliga dois pontos falha, a rede automaticamente encaminha as mensagens por outra rota. “A comunicação pode acontecer de computador para computador, desde que eles estejam devidamente equipados com placas de transmissão e retransmissão capazes de permitir o contato com outras máquinas”, explica Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Faculdade Casper Líbero (SP). “E quanto maior o número de computadores com essa tecnologia, maiores as alternativas de transmissão, formando o que chamamos de ‘rede viral’”, diz.

Diferentemente, nas tecnologias WiFi e WiMax, a banda é compartilhada entre todos os pontos de acesso da rede, ou seja, a velocidade da transmissão (seja a uma taxa de 11 ou 75 Mbps) é dividida entre todos os seus pontos. Há necessidade de comunicação com uma central que recebe e reenvia os sinais, configurando uma topologia de rede em estrela. Dessa forma, redes WiFi ou WiMax ficam congestionadas e perdem eficiência enquanto redes Mesh ficam cada vez melhores quanto mais usuários estiverem conectados. Seria possível argumentar que as redes Mesh apresentariam, portanto, desempenho ineficiente no caso de poucos computadores conectados. Silveira contra-argumenta: “é possível contornar esse problema com computadores capazes de funcionar como ‘pontes’ de retransmissão mesmo que não estejam conectados”. Ele explica que a tecnologia permite que o equipamento presente nos computadores funcione como em stand by (espera).

Convivência de tecnologias

Qualquer tecnologia sem fio visa um bom desempenho, confiabilidade, ampla cobertura, segurança, mobilidade e preço acessível. Entre as três aqui mencionadas, há alternância de excelência em certos atributos. A tecnologia Mesh possui vantagens relacionadas à massificação de dispositivos do padrão Wi-Fi, com preços atrativos no mercado. O WiMax, porém, destaca-se pela qualidade do serviço. O sistema de acesso Wi-Fi, por sua vez, está presente em muitos computadores portáteis. Por isso a conexão do cliente por ponto não representa nenhum custo incremental e o acesso é oferecido em empresas, lojas e cafés.

A melhor tecnologia, na verdade, varia de acordo com o contexto em que ela se insere. Para Chai, “as tecnologias são muito mais complementares do que concorrentes”. Ele diz que a maioria das experiências com o WiMesh no mundo combina a tecnologia com o Wi-Fi. De acordo com Silveira, pode-se perfeitamente usar o WiMax para levar a conexão até uma empresa, que, internamente, utilize outra forma de interconexão, como o WiFi ou o WiMesh. “Sistemas híbridos podem ser muito interessantes”, afirma. Assim, a escolha do sistema vai depender das aplicações às quais ele irá se destinar e a expansão de um deles não necessariamente suplantará definitivamente o outro.

A consolidação das tecnologias sem fio depende da padronização dos sistemas de transmissão. Essa padronização, denominada protocolo, define como um programa deve preparar os dados para serem enviados para o estágio seguinte do processo de comunicação, especifica o formato de dados e as regras a serem seguidas. “É como uma linguagem, que permite a comunicação entre dois interlocutores”, compara Silveira. O órgão que define essa padronização é o Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE, na sigla em inglês). WiFi e WiMax têm a vantagem de já terem sido padronizados pelo IEEE. Já o WiMesh ainda está em processo de padronização, mas está em vias de se tornar o padrão IEEE 802.11s, atualmente em discussão. Chai afirma que “o Wi-Mesh deverá ser padronizado até meados de 2007".

Leia mais:

-  Internet sem fio em benefício de quem?

-  Dossiê sobre Democratização da Comunicação

Responder a esta matéria