Por trás do jogo: tecnologia colabora para melhorar técnica e tática

sexta-feira 1º de setembro de 2006.
 
As tecnologias esportivas possibilitam obtenção, análise e disponibilização de informações sobre técnica e tática de jogo, que convergem para um mapeamento estatístico de passes, dribles e participação dos jogadores em campo. A Matchreport, empresa incubada na Unicamp, através da elaboração de metodologias e softwares, é especializada em treinamento e desenvolvimento de soluções para a área esportiva.

As tecnologias esportivas possibilitam obtenção, análise e disponibilização de informações sobre técnica e tática de jogo, que convergem para um mapeamento estatístico de passes, dribles e participação dos jogadores em campo. A Matchreport, empresa incubada na Companhia do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec), ligada à Unicamp, é especializada em treinamento e desenvolvimento de soluções para a área esportiva, atuando na elaboração de metodologias e softwares que permitem gerar dados estatísticos com detalhes sobre os jogos e disponibilizá-los rapidamente através de um banco de dados histórico e interativo, que permite acompanhar tendências e fazer comparações de desempenhos.

No basquete americano, por exemplo, é muito comum o estudo de adversários para identificar suas características de jogo, desde deslocamentos até o lado da quadra mais utilizado, para melhorar, assim, o aproveitamento de drible e demais ações. Aqui no Brasil, a tecnologia já vem sendo usada para análise tática em várias modalidades esportivas.

Além da produção de software, a empresa Matchreport tem desenvolvido equipamentos que permitem medir com maior precisão a performance dos atletas, através de uma parceria com o Laboratório de Bioquímica do Exercício (Labex), do Instituto de Biologia da Unicamp. A empresa também conta com o apoio da Fapesp, através do Programa para Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE), utilizado para a criação da metodologia e da ferramenta para coleta de dados, especificamente para futebol, handbol e vôlei.

Apesar de estatísticas já serem levantadas em várias modalidades esportivas, de diversas maneiras - a seleção brasileira de vôlei, por exemplo, tem uma pessoa responsável por registrar todos os lances dos jogos em um laptop - o diretor-esportivo da Matchreport, Eduardo Fantato, ressalta que quando estas análises são feitas em clubes, normalmente elas levam mais tempo para ficarem prontas.

Através do apoio de profissionais das áreas de educação física e engenharia da computação e do uso de equipamentos e softwares, a empresa trabalha com dados de eventos esportivos em tempo real. “Com isso, é possível obter mais precisão e detalhes de informações”, afirma Fantato. “Ao utilizar o jogo digitalizado, é possível visualizar onde acontecem os erros e acertos no treinamento de uma equipe, ou ainda, em qual espaço do campo o time é mais forte”, completa.

Os dados e sua visualização podem ser personalizados de acordo com as necessidades dos clientes, que podem ser tantos os clubes de futebol e suas respectivas equipes técnicas como a mídia. A utilização dessa informações para o técnico pode auxiliar na tomada de decisões e intervenção durante a partida; já os grupos de mídia podem pautar comentários e utilizar os dados como recursos complementares para interagir com o público. Assim, através da análise, uma equipe pode aperfeiçoar seus métodos de treinamento, avaliando seu desempenho, de seus jogadores e dos adversários. A cobertura jornalística pode também ganhar mais credibilidade junto ao público.

Denominado de ScoutOnline, o sistema desenvolvido pela Matchreport possibilita simultaneamente o processamento, armazenamento, cruzamento e disponibilização das informações visualmente para o usuário final. “O Scout não é apenas o software, engloba metodologia e recursos desenvolvidos pela empresa para coletar e disponbilizar essas informações”, diz Fantato.

Além da utilização de recursos tecnológicos, para a coleta e armazenamento das informações em campo, segundo Fantato, a coleta não deixa de exigir uma interação do observador, mas os recursos minimizam as chances de erro e perda de informações. Após a coleta, é feita a análise detalhada, com objetivo de prover informações precisas sobre o jogo, considerando as seguintes variáveis: tempo, região do campo e relação entre ações dos jogadores.

Para constatar a confiabilidade dos dados, a empresa aplica costantemente uma série de testes e procedimentos para validar as informações. Os obsevadores passam por rigoroso processo de seleção, seguido de três meses de treinamentos para se adaptarem aos recursos utilizados. Para chegar à sitematização realizada atualmente, foram realizadas diferentes avaliações sobre um mesmo jogo para identificar erros, perdas e diferenças.

A classificação dos dados obtidos em campo é baseada em estudos acadêmicos e em pesquisas com profissionais do futebol. Assim, foram estabelecidas categorias e variáveis para analisar passes, ações de defensiva e ataque, ações do goleiro e de finalização e participação dos jogadores.

A utilizaçao do Scout permite identificar tendências e fatores determinantes do jogo. “Determinado time de futebol, por exemplo, pode ter uma carência de desarmes numa região de campo e, ao cruzarmos as informaçoes, identificamos que grande parte dos gols sofridos tem origem nessa região”, ressalta Fantato.

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