Sistema de alerta

Acidentes naturais causam 250 mil mortes por ano no mundo

quinta-feira 1º de setembro de 2005.
 
A costa sul dos Estados Unidos está sofrendo as conseqüências do furacão Katrina que deixou milhares de mortos e arrastou cidades. Alguns municípios do sul do Brasil também sentiram os danos causados pela força da natureza, com o tornado que atingiu a região nesta semana. No país, a ocorrência desse fenômeno é rara: quando se fala em desastres naturais, as inundações são as campeãs por aqui. Com o objetivo de diminuir os prejuízos deixados pelas inundações, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estuda a implantação de um sistema de alerta local e a criação de um índice de perigo nas situações de enchente.

A costa sul dos Estados Unidos está sofrendo as conseqüências do furacão Katrina que deixou milhares de mortos e arrastou cidades. Alguns municípios do sul do Brasil também sentiram os danos causados pela força da natureza, com o tornado que atingiu a região nesta semana. No país, a ocorrência desse fenômeno é rara: quando se fala em desastres naturais, as inundações são as campeãs por aqui. Com o objetivo de diminuir os prejuízos deixados pelas inundações, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estuda a implantação de um sistema de alerta local e a criação de um índice de perigo nas situações de enchente.

O sistema de alerta foi discutido por Mosato Kobyama, coordenador do Grupo de Estudos de Desastres Naturais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), durante a mesa redonda Prevenção de Desastres Geoambientais: desafios e oportunidades, realizada ontem pelo Núcleo Integrado de Bacias Hidrográficas (NIBH), da Escola de Engenharia (EESC) da USP de São Carlos. O evento fez parte da 4º Semana de Engenharia Civil.

Segundo Kobyama, um sistema de alerta local conseguiria uma ação mais rápida e eficaz, devido a sua pequena escala, do que um sistema regional. Ele ressaltou a importância de se fazer um zoneamento ambiental com identificação de áreas de risco de inundações antes que prédios, residências e estradas sejam construídos. Para essas áreas de zoneamento, a UFSC quer adotar um índice de perigo que leve em consideração a velocidade e profundidade do fluxo da água, o risco de se caminhar em locais alagados, e até mesmo a altura e velocidade da água para fazer um carro popular flutuar. Nessa pesquisa, a universidade utiliza dados americanos, já que, de acordo com o Kobyama, há poucos estudos brasileiros com essas características.

A importância da prevenção Segundo dados da ONU, cerca de 300 acidentes naturais de grandes proporções ocorrem anualmente no mundo, causando 250 mil mortes e prejuízos de 60 bilhões de dólares. As inundações correspondem a 20% desses danos.

A cada 100 dólares gastos em trabalhos de engenharia para áreas inundadas no mundo, 96 são ligados a obras emergenciais e de reconstrução e somente 4% vão para projetos de prevenção, de acordo com os dados da Divisão de Ciência Básica e Engenharia da UNESCO. Segundo Eduardo Mario Mendiondo, coordenador do NIBH - que tem como uma de suas linhas de pesquisa a prevenção e o controle de enchentes - há necessidade de maior prevenção, com a integração de previsão, alerta e restauração na gestão de riscos ambientais causados por inundações.

As inundações no Brasil são conseqüência do intenso processo de urbanização, principalmente na década de 1970, da falta de recursos e políticas ambientais adequadas e da ocupação de áreas geologicamente desfavoráveis, explica Oswaldo Augusto Filho, professor do Departamento de Geotecnia da EESC/USP.

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