OMS lança novos padrões de avaliação do crescimento infantil

sexta-feira 19 de maio de 2006.
 
A Organização Mundial da Saúde trouxe a público no dia 27 de abril os resultados de um estudo realizado em seis países, com informações atualizadas sobre os fatores determinantes do crescimento infantil. Ao todo, 8.440 crianças de Gana, Índia, Noruega, Omã, Estados Unidos e Brasil foram acompanhadas.

A partir de agora, médicos, autoridades e governos de todo o mundo podem medir se suas crianças estão tendo um crescimento saudável através de um método único e padronizado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) trouxe a público no dia 27 de abril os resultados de um estudo realizado em seis países, com informações atualizadas sobre os fatores determinantes do crescimento infantil. Ao todo, 8.440 crianças de Gana, Índia, Noruega, Omã, Estados Unidos e Brasil foram acompanhadas.

Pela primeira vez, os pesquisadores concluíram que crianças das principais regiões do mundo podem alcançar estatura, peso e grau de desenvolvimento similares se lhes forem proporcionadas uma alimentação e serviço de saúde adequados bem como se crescerem em ambiente saudável.

O Estudo Multicêntrico sobre o Padrão de Crescimento (EMPC) teve início em 1997 e foi desenvolvido por diferentes equipes de pesquisa no mundo. Baseado em outro estudo que durou mais de 15 anos em vários paises, entre eles o Brasil, os novos padrões tem validade mundial e possibilitam que agora sejam monitorados o crescimento de todas as crianças, independente de etnia, nível sócio-econômico e tipo de alimentação.

Esses padrões são um instrumento chave para medir a saúde e o desenvolvimento sócio-econômico dos diferentes países, uma vez que a saúde das lactantes (mães que estão amamentando) e das crianças atuam como indicador. Além disso, os novos gráficos de medição de índice de massa corporal permitem a detecção precoce e prevenção de sobrepeso e obesidade em crianças.

O projeto foi dirigido pela OMS, apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e custeado pelos governos do Brasil, dos Países Baixos, da Noruega, de Omán, dos Estados Unidos e pela Fundação Bill e Melinda Gates.

A curva de crescimento adotada no Brasil até agora era um modelo americano, criado na década de 90 e editado em meados do ano 2000. Ela apresenta falhas, uma vez que não é baseada no monitoramento de crianças alimentadas exclusivamente de leite materno, como faz o estudo da OMS, e além disso, superestima o peso depois do terceiro mês.

Aleitamento materno em destaque

A pesquisa da OMS afirma que é fundamental para o crescimento normal das crianças o aleitamento materno, desde que seguido de acordo com as diretrizes sobre alimentação complementar - até os seis meses de vida, a criança só deve ser alimentada com leite da mãe, e depois, receber alimentos complementares suficientes e inócuos (que não oferecem risco à saúde), junto com o leite materno por até dois anos ou mais.

Essas diretrizes foram recomendadas num outro estudo, desenvolvido em 2002, sobre a estratégia mundial para alimentação da lactante e da criança. Em conjunto, a OMS e o Unicef criaram, como resultado desse estudo, um guia para que os países elaborem suas políticas de alimentação e estado nutricional, crescimento, saúde, e sobrevivência das lactantes e crianças.

De acordo com a médica mestre em aleitamento materno Monica Pessoto, a nova curva de crescimento diminui a chance de erro de diagnóstico quanto à nutrição das crianças. "É normal que haja uma queda na nutrição do bebê entre o quarto e o sexto mês, quando alimentados só com leite materno. Como a curva americana não apresenta essa queda, havia o risco de se indicar suplementação alimentar sem necessidade", explica Pessoto, que trabalha como neonatologista do Centro de Atenção Integral a Saúde da Mulher (Caism), da Unicamp.

Esse hospital é um dos 184 centros no país que possuem o programa Banco de Leite Humano, que coleta uma média mensal de 50 litros de leite repassados diretamente das mães aos internos da neonatologia. Se a criança não recebe leite materno, é exposta a fatores de risco que predispõe a um rendimento escolar insuficiente, produtividade reduzida e prejuízos no desenvolvimento social e intelectual, podendo chegar até a enfermidades crônicas.

Em relação à implementação desses novos padrões de crescimento pelos médicos brasileiros e pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde foi contactado pela redação da ComCiência, mas não retornou até o fechamento desta notícia.

Um milhão de crianças morrem a cada ano no mundo como conseqüência de seu baixo peso e há pelo menos 20 milhões de crianças menores de cinco anos com sobrepeso. Os novos padrões de crescimento da OMS estão disponíveis no site http://www.who.int/childgrowth/en/

Responder a esta matéria