Gestão territorial é ferramenta contra aftosa

quarta-feira 26 de abril de 2006.
 
Técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, começaram a usar um sistema de gestão territorial da faixa fronteiriça entre Brasil, Paraguai, Bolívia e Peru: são 25 quilômetros da fronteira com os estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O objetivo é gerir o risco sanitário da febre aftosa.

Os técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento têm uma ferramenta a mais contra a febre aftosa: o sistema de gestão territorial da faixa de fronteira do Brasil com Paraguai, Bolívia e Peru. Serão monitorados 25 quilômetros do lado brasileiro da faixa fronteiriça localizada nos estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Na base de dados desse sistema constam imagens obtidas por satélite, com detalhamento de 10 metros dessas regiões. "As informações permitirão que a gestão do risco sanitário seja melhor organizada nessas áreas", afirma Evaristo de Miranda, chefe da Embrapa Monitoramento por Satélite, que está organizando o sistema.

De acordo com Miranda, o sistema de gestão territorial consiste em fazer um levantamento de dados (numéricos, cartográficos e infográficos) que podem ser abastecidos com novas imagens de satélite, segundo a necessidade de cada técnico operador do sistema. "O técnico que irá operar o sistema poderá solicitar imagens, em tempo real, das regiões suspeitas de transporte ilegal de gado", exemplifica ele. Apesar da aftosa ser o foco das atuais pesquisas, o sistema também poderá auxiliar na gestão de risco sanitário vegetal.

Miranda salienta que as informações geradas serão úteis ainda para elaborar ações de prevenção e controle de aftosa, tanto em nível local, quanto internacional. Ele esclarece que cada município localizado na fronteira brasileira receberá um dossiê com detalhes do uso que é feito de suas terras e dos riscos sanitários existentes. Com essa medida, o monitoramento de outros aspectos como matas em ciliares, conservação de florestas e situações de rios, também poderá ser proporcionado.

O chefe da Embrapa Monitoramento por Satélite enfatiza que o projeto está dividido em três etapas sendo que o trabalho teve início na fronteira com o Peru, Bolívia e Paraguai por ser local de grande risco de aftosa. A segunda fase do trabalho consiste em elaborar a base de dados para as fronteiras com a Argentina e o Uruguai. As fronteiras da região norte do Brasil são o alvo da terceira fase do projeto. Miranda espera que, pelo menos a segunda fase do trabalho seja concluída ainda neste ano.

Ao todo o Brasil possui 16.886 mil quilômetros de fronteiras. O levantamento de dados dos limites brasileiros com o Paraguai, a Bolívia e o Peru corresponde a quase 7 mil quilômetros, aonde existem cerca de 400 municípios.

Sistema paralelo prevê rastreabilidade de veículos

O coordenador do sistema de gestão territorial da faixa de fronteira do Brasil com Paraguai, Bolívia e Peru, Alexandre Camargo Coutinho, menciona que um sistema de gestão de rastreamento de veículos por satélite está sendo organizado pela Secretaria de Defesa Agropecuária. Segundo ele, existe a possibilidade de a Embrapa repassar os dados que atualmente estão sendo organizados no sistema de gestão territorial da fronteira para a estrutura desse rastreamento. Ele explica que a idéia do rastreamento é apoiar as equipes da defesa sanitária em suas ações de campo agilizando os deslocamentos, por exemplo.

Quanto ao rastreamento de produtos como bois ou caminhões de soja, Coutinho não vê relação direta com os riscos sanitários nas fronteiras. “A questão de rastreamento de bois é mais significativa para os mercados consumidores do que efetivamente para a questão de monitoramento de risco sanitário de aftosa na fronteira”, afirma.

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