Divulgação científica

UnB abrigará Museu Interativo Nacional de C&T

terça-feira 14 de fevereiro de 2006.
 
O Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e a Universidade de Brasília (UnB) assinaram durante o Workshop Internacional sobre Centros e Museus de Ciência, que acontece de 14 a 16 de fevereiro em Brasília, um protocolo de intenções para criação do Museu Interativo Nacional de Ciência e Tecnologia, que deverá ser inaugurado até 2008, no campus da universidade. Além das ciências naturais, haverá espaço para a psicologia, a paleontologia, a lingüística, a sociologia e a comunicação, e os visitantes terão oportunidade de interagir com os experimentos.

O Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e a Universidade de Brasília (UnB) assinaram durante o Workshop Internacional sobre Centros e Museus de Ciência, que acontece de 14 a 16 de fevereiro em Brasília, um protocolo de intenções para criação do Museu Interativo Nacional de Ciência e Tecnologia, que deverá ser inaugurado até 2008, no campus da universidade. Para isso, estão buscando apoio do Governo do Distrito Federal (GDF) e de parcerias públicas e privadas que se interessem em dividir a responsabilidade por sua manutenção e administração. A intenção de montar um espaço destinado à exposição de invenções existe desde a criação da UnB. O projeto original foi idealizado pelo educador Darcy Ribeiro, primeiro reitor da universidade, mas a falta de investimentos impediu a idéia de ser levada adiante.

Agora, o Centro de Planejamento Oscar Niemeyer (Ceplan), um órgão de assessoria técnica da reitoria da UnB, está à frente do projeto arquitetônico. O museu, que terá aproximadamente 30 mil metros quadrados de área, será construído num terreno de 300 mil metros quadrados, localizado próximo à reitoria e à biblioteca. Com vista para o lago Paranoá, será dotado de um conjunto cultural - espaço para exposições de história, arte e ciências - e contará com anfiteatros, cinemas, cafés, restaurante.

Segundo Erica Zimmermann, coordenadora do projeto na UnB, que já pesquisou museus científicos e tecnológicos de diversos países, a idéia é criar um museu diferente, para o público perceber como acontecem as coisas no mundo. A construção terá paredes aparentes (de vidro ou outro tipo de material transparente) que possibilitem visualizar processos de manutenção como refrigeração, climatização, encanamentos, fios elétricos de telefonia, etc. Além disso, serão planejados o uso de materiais locais e sistemas para economia de energia e água. “O museu tem de dar o exemplo”, destaca.

Essa estratégia arquitetônica foi pensada porque, no curso de metodologia de ensino de ciências que ministra para professores do ensino fundamental, os alunos de Zimmermann constataram que as crianças geralmente não têm noção de onde vem a energia elétrica ou para onde vai a água e o esgoto. Quando perguntadas, respondem que a energia elétrica “vem dos fios”, ou da distribuidora local. Ou que “a água vem da torneira” e o “esgoto vai para o ralo”. “Descobrimos que as crianças jogam muita coisa ralo abaixo, pois não sabem o que vem depois dele. É como se não fosse problema delas. Acho que o mesmo acontece com muitos adultos!”, ressalta.

Outra característica do museu será a interatividade. “Nada de placas dizendo ‘não toque’”, idealiza a coordenadora, explicando que os visitantes terão oportunidade de interagir com os experimentos, descobrindo, brincando, testando, sentindo, fazendo parte e sendo parte dos instrumentos. “Assim, eles se sentirão parte do mundo da ciência e da tecnologia, e capazes de ajudar no seu desenvolvimento“, acredita.

Zimmermann conta que está se empenhando no projeto de criação do museu porque, para ela, é muito frustrante ver que a maioria dos alunos, ao final do segundo grau, foge das ciências. Em seus anos de experiência no ensino da matéria, em particular de física, percebeu que mudando a forma como são mostradas as ciências, demonstrando que elas estão no dia-a-dia e fazem parte da vida de cada um, muda também a atitude dos alunos em relação à matéria. Eles passam a entender que ciência tem relação direta com sociedade, tecnologia e cultura. “Essa experiência me levou a querer atingir o público em geral”, relata.

Segundo ela, no novo museu serão apresentadas todas as ciências, não só as naturais. Haverá espaço para a psicologia, a paleontologia, a lingüística, a sociologia, a comunicação e outras. “Obviamente, daremos algum peso, para o cerrado”, esclarece a coordenadora do projeto, lembrando a importância do bioma que circunda a UnB e todo o Planalto Central. Por enquanto, destaca, não existe a preocupação com a formação de acervo, pois inicialmente serão programadas exposições itinerantes com a colaboração de outros museus de ciência nacionais e internacionais. Haverá uma intensa programação, com cursos e oficinas destinados ao público em geral e alguma programação específica para escolas e professores.

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