Sistema brasileiro de TV digital terá código aberto

segunda-feira 9 de janeiro de 2006.
 
O sistema brasileiro de TV Digital, atualmente em desenvolvimento por 22 consórcios, terá uma parcela estabelecida como software livre. Isso significa que o sistema terá código-fonte aberto, possibilitando o livre acesso e a realização de melhorias pelos usuários. A notícia foi dada pelo professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Luiz Fernando Gomes Soares, coordenador do Laboratório TeleMídia da universidade. Essa parte do projeto do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), chamada midleware declarativo Maestro, está sendo desenvolvida pelo convênio estabelecido entre o Laboratório TeleMídia da PUC-Rio, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a universidade.

O sistema brasileiro de TV Digital, atualmente em desenvolvimento por 22 consórcios, terá uma parcela estabelecida como software livre. Isso significa que o sistema terá código-fonte aberto, possibilitando o livre acesso e a realização de melhorias pelos usuários. A notícia foi dada pelo professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Luiz Fernando Gomes Soares, coordenador do Laboratório TeleMídia da universidade. Essa parte do projeto do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), chamada midleware declarativo Maestro, está sendo desenvolvida pelo convênio estabelecido entre o Laboratório TeleMídia da PUC-Rio, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a universidade.

Conforme esclarece Soares, "a parcela a ser disponibilizada como software livre é apenas o midleware declarativo. Os demais consórcios ainda não decidiram se vão ou não disponibilizar seus sistemas da mesma forma." O midleware é uma camada de software localizada entre as aplicações (programas de uso final) e o sistema operacional (conjunto de programas básicos que permite ao usuário gerenciar o uso dos recursos de um computador). Seu objetivo é facilitar o desenvolvimento de aplicações por parte dos programadores e encobrir os detalhes das camadas inferiores bem como a heterogeneidade entre diferentes sistemas operacionais. O midleware declarativo dá suporte a aplicações desenvolvidas em linguagens que resultam em uma declaração do resultado desejado e, portanto, não necessitam de tantas linhas de código como o midleware procedural para definir uma tarefa. Entre as linguagens declarativas mais comuns estão a NCL, SMIL e HTML. O que o midleware faz é interpretar essas linguagens.

O foco dos midleware existentes é a interatividade, um tipo de sincronismo de mídias que facilita o desenvolvimento das aplicações com interação do telespectador. Além da interatividade há outros sincronismos de mídia importantes para a TV digital. Como exemplo, Soares cita a transmissão de uma novela em que o ator come um pedaço de pizza e, no mesmo momento, aparece uma pequena janela no canto da tela com a publicidade de uma pizzaria. O usuário poderá ainda fazer um pedido à pizzaria pela televisão. Para otimizar o sincronismo, a equipe da PUC-Rio propõe o uso de uma linguagem desenvolvida no Brasil e reconhecida internacionalmente, a NCL (Nest Context Language), que deve ser complementada com linguagens procedurais. As ferramentas dessa linguagem controlam a exibição sincronizada dos vários objetos de mídia e, segundo Soares, são mais eficientes que as da linguagem HTML.

O coordenador do laboratório explica que o midleware declarativo Maestro e a linguagem NCL são as soluções mais adequadas às condições brasileiras, tanto socioeconômicas como técnicas e topográficas. "Além de serem compatíveis com os outros sistemas existentes, são mais eficientes, foram totalmente desenvolvidos no Brasil - o que nos isenta do pagamento de royalties - e têm grande potencial exportador", afirma. Já a opção pelo tratamento como software livre tem várias justificativas. Soares cita, entre elas, o fato de possibilitar que o conhecimento seja de domínio público, sobretudo porque as pesquisas estão sendo realizadas com dinheiro público, e de o sistema conseguir importantes contribuições dos usuários em sua melhoria.

O sistema ainda está em fase de testes, mas os avaliadores, cadastrados e autorizados, podem acessar o manual de usuário e testar os recursos dos arquivos executáveis disponíveis para download por quanto tempo quiserem, retornando suas contribuições na forma de respostas ao questionário de avaliação. A equipe do Telemídia deverá disponibilizar até o início de fevereiro o código-fonte e algumas dicas sobre as principais necessidades para o aprimoramento dos programas. Assim, os programas-fonte que implementam as ferramentas serão distribuídos como software livre, podendo ser redistribuídos ou modificados sob os termos da Licença Pública Geral GNU, conforme publicada pela Free Software Foundation.

Vale lembrar que a definição do padrão a ser adotado no Brasil ainda está em discussão. O desenvolvimento do SBTVD envolve 79 instituições entre universidades e empresas e a decisão sobre o padrão a ser adotado no Brasil, segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa, está prevista para dia 10 de fevereiro. Concorrem com o sistema em desenvolvimento no Brasil os sistemas já disponíveis no mercado: o europeu (DVB), o japonês (ISDB) e o norte-americano (ATSC). Segundo declaração publicada no site do Sistema Brasileiro de TV Digital, Costa esclarece que "o sistema brasileiro de TV digital vai ter componentes dos três sistemas internacionais. Os cientistas brasileiros estão estudando o que há de melhor em cada um, e a partir daí será estruturado o sistema brasileiro". A segunda fase do projeto é a de desenvolvimento e será realizada após a definição do modelo que o Brasil vai adotar. Nessa fase, o modelo de referência será desenvolvido e preparado para a implantação, a fase final do SBTVD.

Responder a esta matéria