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  • Estórias do terminal - VII

    3 de março de 2009

    VII

    – A senhora sabe o que é clonagem terapêutica? Por quê? A senhora estuda? Tô vendo os livros aí na sua mão…

    – Voltei a estudar, sim. Você acredita que depois de velha resolvi estudar de novo? Sou aluna do curso de biologia agora. Me informei muito sobre clonagem terapêutica e outros avanços científicos. Tenho um neto que nasceu com uma doença genética rara, deve morrer novo, então a gente se agarra a qualquer esperança.

    – Puxa, que chato! Deve ser difícil viver com essa situação…

    – Põe chato nisso. Só que a gente acabou descobrindo na internet o laboratório da professora Mayana Zatz, na USP, e agora meu neto recebe tratamento lá. Não dá para curar a doença, infelizmente. Mas pelo menos quando a gente volta de lá ele parece sempre melhor, faz fisioterapia…

    – Ah! Essa Mariana Zac, como é?

    – Mayana Zatz.

    – É, já vi essa mulher na TV. Ela tem uns olhos verdes e fala de um jeito engraçado. Vendo ela falar… Parece mesmo que esse negócio é ótimo. Me explica mais ou menos?

    – A clonagem terapêutica serve para fazer células-tronco sob medida para cada pessoa.

    – Que nem roupa feita sob encomenda?

    – Mais ou menos… Você pega uma célula de uma pessoa, tira a parte que tem o código genético, o DNA. Aí esvazia um óvulo do DNA que tem no núcleo, no meio dele, que também é uma célula, só que uma célula gigante. E coloca então o DNA da pessoa dentro do óvulo. Aí esse óvulo leva um choque e começa a se dividir como um embrião. Só que esse embrião tem as características hereditárias, genéticas da própria pessoa.

    – E o que tem isso a ver com as células-tronco?

    – Então, o óvulo que levou o choque se desenvolve como se fosse um embrião. Dentro de alguns dias, esse embrião passa a contar com células-tronco. E essas células-tronco vão ser geneticamente idênticas às células da pessoa que doou o DNA. A idéia dos cientistas é guardar direitinho essas células em laboratório. Se um dia a pessoa tiver uma doença num órgão, essas células-tronco específicas poderiam entrar no lugar das células doentes ou mortas. Sendo da própria pessoa, não teriam risco de rejeição. Tem gente pensando até que vai dar para prolongar a vida um pouco mais…

    – E isso é bom?